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Crítica: Pantera Negra (sem spoilers)


O primeiro filme de super-herói do ano, será o primeiro filme do MCU com um herói negro, sendo uma das grandes apostas do Universo. O hype em cima deste blockbuster está nas alturas, e a minha missão aqui é desvendar para vocês aquela dúvida de sempre: “É tudo isso mesmo?”

Antes de tudo, se você não conhece nada do super-herói e quer dar uma atualizada, leia o nosso artigo que conta tudo que você precisa saber sobre Pantera Negra

A trama se inicia imediatamente após os ocorridos em “Capitão América: Guerra Civil”. Após a morte do rei T’Chaka (John Kani), o nosso Pantera Negra, T’Challa (Chadwick Boseman), assume o trono de Wakanda. A partir daí, já percebemos que o longa não é mais uma das narrativas de origem. Aqui, o nosso herói já foi preparado ao longo da vida a lidar com seus poderes.
A questão central do longa é política, agora como rei, T’Challa precisa compreender como ele deve liderar a sua nação e tomar difíceis decisões que poderão mudar a história de seu povo.



Wakanda é a nação mais rica e avançada tecnologicamente do mundo e tudo isso deve-se ao metal Vibranium. Com medo do que o mundo possa fazer com esse metal, a real Wakanda tornou-se escondida, deixando sobre a superfície só mais um pequeno país de terceiro mundo da África. E depois de tantos anos funcionando muito bem assim, vem o questionamento: Deve-se continuar assistindo tantos necessitados, mundo afora, morrendo, enquanto há tanta riqueza escondida nesse reino? 

E é a partir desse questionamento central que se desenvolve o grhande vilão Killmonger, que é vivido pelo maravilhoso Michael B. Jordan. Apesar de seus métodos não convencionais — o que é esperado de um vilão —, as suas motivações não são somente compreensíveis, como também sérias. Killmonger é o oprimido que sonha em se tornar opressor e por sua causa ser considerável, ele consegue trazer questionamentos importantes para além do filme, como críticas ao colonialismo e discriminação racial e, mesmo sendo um vilão, ele traz ensinamentos tanto ao nosso herói quanto a quem assiste o longa. 


O elenco é maravilhoso! Fora a alegria de finalmente contemplar um filme com um elenco majoritariamente negro, os personagens desse longa são extremamente cativantes, cada um à sua maneira. Mesmo que Pantera Negra carregue um tom mais sério, ainda sim há espaços para tiradas cômicas e descontraídas, mas nada fora de hora e nem de forma excessiva. Uma das personagens que carrega esse alívio cômico, é Shuri (Letitia Wright), com sua inteligência acima da média, a irmã de T’challa nos mostra que ainda assim é uma adolescente “normal”, e Letitia entrelaçou tudo isso muito bem. Outra personagem que chama muita atenção é Okoye, vivida pela nossa incrível e maravilhosa Danai Gurira. Danai encarna a general das “Dora Milaje”, a guarda integralmente feminina de Wakanda, nos mostrando toda a força da personagem, assim como humor, altruísmo e fidelidade. Assim como também Nakia, personagem vivida maravilhosamente por Lupita Nyong’o, que não só nos mostra todas essas qualidades, como nos incita ao questionamento central do longa. 

Não é comum filmes de super heróis trazerem questionamentos tão atuais e importantes, assim como não é comum a Marvel sair um pouco de sua fórmula. É claro que ainda temos muito da fórmula aqui — coisa que não significa ser necessariamente ruim —,  mas também temos um filme diferente dos cansativos longas de origem. Trazendo um herói necessário e um elenco essencial, em uma época em que mais é debatido questões como inclusão, diversidade e representatividade, o longa trouxe sua mensagem com a leveza necessária. Também não estou dizendo que é um filme perfeito, perde-se muito tempo, desnecessariamente, com o vilão Ulysses Klaw (Andy Serkis), que apesar de importante, nem é o grande da trama, o que pode cansar um pouco o expectador. Mas ainda assim, serei ousada em dizer que Pantera Negra é um dos melhores e mais importantes filmes da Marvel. Vale total o ingresso, por tudo que ele proporciona, seja no entretenimento durante o filme como na reflexão pós-filme.









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