Swift

Crítica: Pequena Grande Vida (sem spoilers)


O mundo está superpovoado, passando por inúmeros problemas climáticos, não tendo a população humana um futuro lá muito promissor. Pensando em uma alternativa para salvar a Terra, um grupo de cientistas apresenta um projeto um tanto diferente. Procurando evitar um colapso, esse notável grupo de intelectuais cria um procedimento onde é possível reduzir o tamanho de qualquer matéria, inclusive nós humanos. 

Partindo desta premissa, somos apresentados a trama inicial de Pequena Grande Vida, filme que estreia dia 22 de fevereiro nos cinemas. Tal experimento se mostra a solução para os nossos problemas ecológicos e populacionais, já que reduzindo seres humanos há uma altura de 12 cm, notavelmente a quantidade de lixo produzido e espaço ocupado também cairão. 



Dentro deste projeto de um mundo em miniatura ideal, conhecemos Paul Safranek (Matt Damon), um homem de classe média frustrado que encontra no encolhimento uma chance de alcançar um padrão de vida privilegiado, como também, se livrar do constante tédio. Convencendo sua esposa, Audrey (Kristen Wiig), ambos partem para um novo recomeço - pelo menos para ele - já que sua esposa desiste no meio do procedimento.

Sozinho neste pequeno mundo, Paul acaba conhecendo moradores desta comunidade, como Dusan (Christoph Waltz), seu vizinho festeiro e trambiqueiro - e por sinal muito mal aproveitado pelo longa - que ganha a vida fazendo importações ilegais, ou a ativista vietnamita Ngoc Lan Tran (Hong Chau) - brilhante - que foi diminuída a força pelo governo e agora trabalha como faxineira na comunidade.  


Mostrando que os problemas ainda persistem e que estão intrínsecos no ser humano, o diretor Alexandre Payne inicia a desconstrução deste mundo perfeito, introduzindo inúmeras críticas sociais. No entanto, tais pensamentos só ficam nisto, em uma introdução, sem nenhum tipo de aprofundamento. Um filme que perde um tempo considerável estabelecendo toda essa ideia - bem crível por sinal -, assim como, jogando ao espectador  todas as problemáticas sociais, econômicas e ambientais vivenciadas pela nossa sociedade se perdem ao longo de sua projeção, dando espaço para uma trama rasa do protagonista, e deixando de lado todo seu conceito inicial. Sendo assim, nos encontramos diante de uma narrativa que perde sua força, não sendo nem Matt Damon capaz de trazer o interesse inicialmente instigado. 

Pequena Grande Vida é um filme que inicialmente se propõe a discutir que não existe métodos fáceis para solucionar noções que se encontram presas em nosso ser. Não importa se temos dois metros ou doze centímetros de altura, pois o verdadeiro agente da mudança são nossas ações. Contudo, este se perde em sua narrativa, seguindo por uma rota muito abaixo do seu potencial.




LEIA TAMBÉM