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Crítica: 12 Hérois (sem spoiler)


Em 12 Heróis, conhecemos a primeira abordagem dos EUA contra a Al-Qaeda após o fático 11 de Setembro. Baseado no livro Horse Soldiers, de Doug Stanton, o filme de Nicolai Fuglsig exalta o patriotismo americano e sua busca por verdadeiros heróis. Contudo, a produção possui boas cenas de ação que podem entreter o público.

Na trama, temos Mitch Nelson (Chris Hemsworth), soldado que possui uma função burocrática no governo, e que decide largar os papéis para embarcar em uma arriscada missão. Ao lado de seu amigo Hal Spencer (Michael Shannon), lidera um grupo de elite responsável pelo primeiro contra-ataque ao grupo terrorista. Para isso, precisará se aliar ao general Dostum (Navid Negahban), da Aliança do Norte, para que o objetivo seja concretizado.



Mais uma vez estamos diante de uma história baseada em fatos reais em que se é narrada uma das inúmeras missões contraterrorismo realizadas pelos EUA. Sendo toda a história traduzida como um conflito entre mocinhos e bandidos. Recheado de personagens superficiais, não vemos nestes seus medos, conflitos e questionamentos.

No meio de tantos conflitos atuais, sabemos que uma guerra é algo muito mais complexo e obscuro. Não é uma questão sobre o bem ou o mal, mas um verdadeiro emaranhado de interesses, motivações e pontos de vistas mutáveis conforme a ótica apresentada. Nesse sentido, 12 Heróis falha ao não mostrar toda a complexidade do evento e das pessoas que o viveram.



O maior momento de empatia se dá através do general Dostum, ao mostram um homem igualmente idealista, mas que possui uma fragilidade aparente ao descrever toda a devastação sofrida pelo seu povo e país ao longo dos séculos. Sua aliança com a equipe de Nelson possui a motivação melhor elaborada do roteiro, mostrando um ideal a ser alcançado com o qual o público consegue se identificar. 

Nesse sentido, o personagem é o destaque da produção. Tendo o resto dos atores, como Hemsworth e Shannon, atuações esquecíveis diante de um roteiro limitado e com personagens maniqueístas, deixando aquele sentimento de que poderia ter sido algo muito maior.



No entanto, o filme possui boas cenas de ação e consegue trabalhar toda a tensão e brutalidade do campo de batalha. A direção de Fuglsig é eficaz e traz bonitas sequências. Acompanhado da fotografia de Rasmus Vedebaek, a imersão no conflito é crível e consegue entreter o espectador em tais momentos.

Confesso que 12 Heróis é um filme que possui um potencial muito maior do que é apresentado. Caso tivesse como foco o desenvolvimento de seus personagens e não apenas o heroísmo americano, teríamos um filme muito mais completo. Sem isso, estamos diante da mesmice, uma produção com boas cenas de ação.




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