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Crítica: Me Chame Pelo Seu Nome (sem spoilers)



Quando os filmes tem um personagem que tem um foco principal, tudo importa para seu desenvolvimento. Seja o ambiente em que ele vai estar, seu passado e presente, o motivo daquelas atitudes, sua forma de pensar e muitas outras coisas. Mas o que realmente importa para isso é o ritmo em que sua história será contata para o publico, e mesmo com o talentoso Armie Hammer fazendo um personagem que ficamos apaixonados, o roteiro de Me Chame Pelo Seu Nome apresenta alguns problemas.

Baseado no romance do egípcio André Aciman, temos a narração da vida de Elio (Timothée Chalamet) que está em período de férias na casa de campo de sua família - onde somos contextualizados que estamos em 1983. Lá seu pai (Michael Stuhlbarg), que é um especialista em cultura grego-romana, hospeda o acadêmico Oliver (Hammer), que viaja para ajudá-lo em sua pesquisa. Em meio a isso tudo, vemos a aproximação de Elio e Oliver.




Muitos podem dizer que se trata de um drama gay e descobrimento da sexualidade do jovem, mas o filme acaba mostrando mais que isso. Elio está em sua fase adolescente onde ainda está descobrindo o mundo e ao mesmo tempo SE descobrindo ao longo disso, onde essa viajem pode lhe mostrar muito mais que isso. Mesmo que as atuações não sejam lá as melhores, eles mostram aquilo que precisa e pronto, sem ficar estendendo coisas desnecessárias para a história. Mas o que realmente nos faz amar o filme é sua paisagem que sai do comum e sua forma de viver as coisas.

Uma coisa muito boa que o diretor Luca Guadagnino faz é sair daquele drama totalmente desnecessário e criar um ambiente onde não existe nenhum tipo de julgamento, mas apenas de amadurecimento, que também ocorre de forma muito natural e não forçada para criar problemas entre os personagens em algum momento. E é aonde temos a exploração do amor de forma natural - mesmo que muitas vezes eu acabe achando que certas coisas não precisam ocorrer.




Um grande problema que o filme apresenta para mim é que existem cenas que poderiam muito bem não existir - principalmente algumas entre Elios e Oliver que acabam sendo em excesso - e alguns personagens que poderiam ser mais bem desenvolvidos ou mostrados, que também são importantes, principalmente na vida de Elios.

Sua narrativa pode começar de certa forma bem, mas em muitos momentos se perde por pura bobeira, onde não faz sentido nenhum aquela situação estar presente por ali.

Me Chame Pelo Seu Nome não é um filme perfeito, apresenta para mim muitos erros, mas uma coisa eu não posso negar: é uma história de amadurecimento bonita, real e que se desenvolve da melhor forma possível em um ambiente fora do comum, mas ainda acredito que não vale a pena comprar um ingresso.


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