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Crítica: O Sacrifício do Cervo Sagrado (sem spoilers)


Filmes com uma história distinta e sua forma diferentona de ser rodado, sempre são lembrados como "cults", artísticos ou esquisitos por aqueles que estão acostumados com outro tipo de cinema. O diretor grego Yorgos Lanthimos é esse tipo peculiar, tendo feito sucesso com seu filme A Lagosta - que infelizmente não foi lançado nos cinemas brasileiros - o cineasta traz sua mais nova produção para as telonas, O Sacrifício do Cervo Sagrado.

Diferente de sua trama anterior, onde as pessoas viviam em um mundo onde não podiam ser solteiras e que se não arranjassem alguém naquele prazo eram transformadas em um animal de sua escolha. No seu novo trabalho temos o desenvolvimento de um drama familiar de forma intensa.

No longa, acompanhamos a história de um médico cardiologista (Colin Farrell), casado com uma oftalmologista (Nicole Kidman) e pai de dois filhos adolescentes, uma menina (Raffey Cassidy) e um garoto (Sunny Suljic). Sua vida funciona igual há um processo cirúrgico, sempre de forma muito metódica, mas que acaba se transformando após manter contato com o filho de um ex-paciente (Barry Keoghan), que é quem deixa não só o médico desconfortável, mas também o resto de sua família, que passam por situações fora do comum.


A história não só é confusa, como também perturbadora em algumas situações - mas digo isso de maneira positiva. Seja em uma cena de sexo ou uma conversa entre os personagens sobre um relógio, tudo é feito de forma bem robótica e as vezes tratado como um fetiche por eles. E é nesses momentos que vemos como a mente de um diretor - principalmente a de Yorgos pode ser não só criativa, mas também muito assustadora.

Pelo filme ser um tanto quanto peculiar, qualquer coisa comentada pode ser um spoiler ou  estragar a experiência do espectador, mas uma coisa que posso dizer com firmeza é que Yorgos junto de Efthymis Filippou roteirizaram uma história não só maravilhosa, mas que também te deixa sem fôlego em todos os momentos, sem pausa alguma para descansar, onde ficamos entre o desconforto e a tensão.

Os diálogos frios e as relações que sempre são mostradas que forma estranha andam juntas com a a direção, que apresenta um cenário opaco, principalmente quando estamos no hospital. E também a movimentação de câmera, que nos coloca sempre seguindo o caminho do personagem por corredores absurdamente longos e que parecem nunca ter fim, dando o toque de solidão.

O Sacrifício do Cervo Sagrado é um filme que não vai levar muitos ao cinema e nem fará uma grande bilheteria. Contudo, as pessoas deveriam dar a chance, pois não é só um filme cult ou estranho, possuindo uma essência por trás de tudo. Mesmo que para alguns possa ser apenas uma experiência agoniante e ao mesmo tempo perturbadora.

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