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Crítica: Tomb Raider - A Origem



A palavra que define a sensação ao sair do novo Tomb Raider é FELIZ. Vou explicar o porquê.

Vou voltar um pouco no tempo, ano de 2001, a Angelina Jolie é escalada para viver a Lara Croft na adaptação dos games Tomb Raider e o resultado foi considerado bom, faturando cerca de US$ 275 milhões mundialmente e mesmo com números baixíssimos é a adaptação do título que mais faturou nos cinemas. Sem contar que a crítica e os fãs dos games também não curtiram o resultado final. O filme chegou a ter uma continuação e foi um fracasso, tanto que fez pouco dinheiro nas bilheterias doméstica e internacional.

Chegamos em 2013 e a Square Enix lança um reboot do game, fazendo várias mudanças em relação aos antigos jogos. Uma das principais é a retirada da “sensualidade” (excesso de exposição do corpo da mulher) da Lara Croft, transformando-a em uma menina “normal” inteligente, corajosa e “real”. E foi nesse caminho que o novo filme seguiu.


Para os marinheiros de primeira viagem, a sinopse do filme é a seguinte: a história segue a Lara Croft, uma menina de vida normal, com dificuldade financeiras e sempre em busca de ação. O pai desaparecido há 7 anos, é dado como morto e ela não aceita a herança, pois isso seria como admitir que o patriarca da sua família realmente tinha partido de vez.

Um dia ela descobre anotações do pai e para onde ele foi antes de desaparecer. Com isso em mãos ela segue a trilha deixada e parte em busca da do pai desaparecido.

Até aqui, existem poucas mudanças em relação ao game, neste ela já era uma exploradora com uma certa experiência e habilidades, enquanto que na produção cinematográfica ela tem zero experiência e vai só com a coragem adquirida nos anos que passou sem o pai.


Após encontrar a ilha que em supostamente o pai teria morrido é que começa o jogo, ops, o filme. Temos início do sofrimento e da superação da personagem, como vemos no game. Vários momentos e situações são semelhantes ao game reboot, o que para mim ficou bem legal.

Como a personagem é “real” nós vemos ela sofrer com as quedas, as lutas e para seguir em frente. Não é uma “mulher-maravilha”, mas é uma supermulher. A Alicia deu vida a uma Lara Croft perfeita e você “compra” a jornada dela.


A adaptação do Tomb Raider segue uma linha conservadora, muitas vezes transpondo cenas e situações encontradas no game, o que para mim não é problema. Até porque é necessário criar uma base forte de fãs do filme para que haja público para continuações. Aquela cena do barco em que a Lara tem que se pendurar nos ferros e atravessar uma parte quebrada do casco... WOW, me senti num “quick time event”. Estava imerso no filme.

Problemas existem, sim, um deles não é culpa do diretor e sim dos cinemas brasileiros, que é o 3D — inexistente — que só serve para escurecer e dar dor de cabeça. Agora, uma coisa que não curti foi a direção das cenas de lutas, câmera muito ativa, porém sem dar ênfase à coreografia. Ryan Coogler poderia dar umas aulas para o Roar Uthaug.


Outro problema foram as cenas de flashbacks que complicaram um pouco a narrativa e poderiam ter sido reduzidas, bem como a duração do longa. Tirando algumas cenas que estavam lá só para encher linguiça, poderia ter ficado por volta de 1h45.

O vilão eu achei bom. Simples e sem grande motivação, pois estava lá só para fazer contraponto a uma Lara sem traquejo, servindo de experiência para que ela se transformasse na assaltante de túmulos que todos conhecemos.

O resultado é extremamente positivo. Um filme de aventura e ação que entrega tudo que prometeu e com um bônus de uma personagem feminina forte que é forte por si só, quem a cerca está lá por necessidade criada pelo roteiro, sem diminuir a presença da Lara.

Há espaço para melhoras e é o que nós estamos esperando para o vindouro segundo filme da franquia. Warner Bros. anuncie logo a sequência do Tomb Raider que a gente está ansioso para rever a Alicia/Lara nos cinemas.



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