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Crítica: Operação Red Sparrow (sem spoiler)


Operação Red Sparrow estreia hoje nos cinemas e ao contrário do que você imagina não estamos diante de um filme recheado de cenas de ação, mas de uma produção que opta pelo suspense. Esse thriller erótico, como é autodenominado, dirigido por Frances Lawrence e estrelado por Jennifer Lawrence - parceria já conhecida por conta da franquia Jogos Vorazes - possui seus momentos, mas acaba se perdendo diante de inúmeros plot twists desinteressantes.

Na história, somos apresentados a Dominika Egorova (Jennifer Lawrence), primeira bailarina da Companhia de Balé Bolshoi, que por conta de um acidente sofrido em uma de suas apresentações acaba tendo que abandonar os palcos diante da lesão. Com uma mãe doente (interpretada por Joely Richardson) e uma casa para sustentar, a personagem acaba se envolvendo em uma perigosa trama.

Cedendo aos desejos do tio Vanya (Mathias Schoenaerts) - um dos chefes do Serviço de Inteligência Russo -  Dominika é recrutada pela agência e encaminhada para uma escola de espionagem, onde aprenderá a ser uma sparrow - células/agentes que se aprimoram na arte da sedução e do sexo para extrair informações a favor do governo russo. - sendo sua primeira missão seduzir o agente da CIA Nate Nash (Joel Edgerton) com o fim de que este revele a identidade do traidor que tem passado informações confidências ao EUA. 



Ao longo dos 139 minutos do filme, o roteiro de Justin Hayte se perde com a quantidade de informações jogadas em tela, criando arcos narrativos apáticos que acabam gerando questionamentos não respondidos pela trama. O mesmo pode se dizer dos personagens, que não tem o desenvolvimento necessário, sendo rasos e tendo como única função serem recipientes da violência e sexualização da trama. O próprio relacionamento dos protagonistas é inexistente e desprovida de qualquer carga emocional.

Entenda não há nada de errado utilizar fatores como violência ou nudez em produções, são recursos como qualquer outro, e tendo sua efetiva importância para o crescimento da história ou do arco narrativo de seus personagens serão sempre bem-vindos. Contudo, o grande problema do filme, em minha opinião,  é se utilizar de tais elementos como subterfúgios para uma história maçante e com claros problemas de ritmo, tentando assim prender de alguma forma a atenção do espectador.

A própria personagem de Dominika não é empoderada, mas sim uma vítima do sistema arcaico e machista retratado. Apesar desta encontrar uma brecha e eventualmente se ver a frente do próprio esquema organizado pelo seu país, a personagem foi subjugada, torturada, espancada, abusada psicologicamente e sexualmente. Como dito no filme, Dominika não é dona de seu corpo, nem de sua sexualidade, sendo um mero instrumento na mão de outros homens.



Em meio a tantos erros, a direção estilizada de Francis Lawrence e a fotografia de Jo Willems trazem toda a grandiosidade russa, assim como, certa finesse ao filme. Introduzindo belíssimos e ricos cenários banhados pelos tons de vermelho, fazendo uma alusão constante ao título.

Operação Red Sparrow pode até ser intrigante em seu início mas se perde em um emaranhado de reviravoltas e informações, criando um desinteresse pelo final desta história. 





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