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Resenha - O Enigma de Blackthorn


Não há dúvidas de que sou um amante fiel de fantasia. Esse gênero que muita gente considera ser chato, ou quem sabe cansativo de ler. Outros não gostam do ritmo e ainda tem muita gente que não entende os universos fantásticos, mas hoje eu venho falar sobre uma fantasia que serve para todo mundo — O Enigma de Blackthorn!

Primeiramente nós vamos voltar no tempo. A história se passa em uma Europa modernista, lá no século XVII, mas os personagens não são dos elementos mais comuns que se podem esperar de uma fantasia. Essa não é mágica! A caça às bruxas já havia passado e deixado sua marca no tempo, ninguém mais queria ser feiticeiro ou de alguma outra classe sobrenatural de personagens, que normalmente já estamos mais acostumados a encontrar nesse tipo de narrativa. O Enigma de Blackthorn é muito mais realista e bem próximo ao chão, nos trazendo a um contexto político e social, em que a guilda será dos boticários e teremos a ambição como a maior vilã do livro!

Benedict Blackthorn é um mestre boticário e, naquela época, os mestres — que eram as pessoas “formadas” em alguma profissão — tinham aprendizes e assim as profissões eram ensinadas e ganhavam continuidade na história. Christopher Rowe é esse aprendiz de Benedict, que almeja se tornar um grande boticário e viver uma vida feliz ao lado de seu mestre. Há quem defenda que os boticários eram, a grosso modo, uma espécie de farmacêuticos e químicos. Eles criavam remédios através das fórmulas, mas também poderiam fazer bombas com os elementos. Eu — particularmente — prefiro me referir a eles mais como alquimistas.

"Para ser um boticário, você precisa entender uma coisa: a receita é tudo. As poções, os cremes, as geleias e os pós preparados... exigem um toque incrivelmente delicado. Não é como assar um bolo."

A competitividade devido à concorrência, instigava o estudo e o desenvolvimento de novas fórmulas e a criação de novas soluções pelos mestres, mas isso também gerou o crescimento de algo que pode fazer um estrago bem grande, se não controlado: a ambição pelo poder!

Surge então um rumor sobre certa fórmula, ou elemento único, que seria capaz de mudar o rumo da história do mundo, a favor daquele que o obtivesse o controle de seu poder. Diante disso, o mistério e a ambição fazem com que os boticários comecem suas buscas vorazes para ser o maior alquimista da história, porém uma coisa começa a acontecer ao mesmo... os boticários e seus aprendizes começam a ser assassinados de maneira brutal e o medo vai assolando todo o império.

Em meio ao medo, adrenalina e sede de conhecimento, algo acontece com Benedict. Porém o mestre não era uma pessoa qualquer, era um dos mais inteligentes e provavelmente o mais sábio dentre os boticários. Agora cabe a Chistopher e seu inseparável amigo Tom, desvendarem o enigma que Blacktorn deixou, para descobrirem o que e porque aconteceu. Tudo isso, de maneira sutil, onde a vida está sempre em jogo e que nem sempre todas as pessoas são tão justas quanto parece.

"Mestre Benedict adorava ocultar coisas dentro de outras coisas. Códigos dentro de códigos, enigmas para abrir cadeados."

O livro não é grande, agora some a ansiedade de desvendar o enigma, juntamente com os personagens, e você terminará a leitura muito rapidamente. A história não tem enrolação e eu sugiro que o leitor preste atenção em cada detalhe, eles dão pistas importantes sobre o que vai acontecer.

Além de toda essa dinâmica excelente, quem tiver algum conhecimento de química conseguirá desvendar algumas coisas um pouco antecipadamente e vai se deliciar com as propriedades de massa e reação dos elementos, trabalhando na história. É fantástico, literalmente!

O final do livro não é um mega plot twist, mas deixa aquela vontade enorme de ler o próximo título da série, que ainda não está disponível aqui no Brasil, mas pode deixar que a gente avisa para vocês quando a LeYa divulgar a previsão de lançamento!

Título: O Enigma de Blackthorn (Christopher Rowe #1)
AutorKevin Sands
EditoraLeYa (2017)

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