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TAG Experiências Literárias - O Custo benefício vale mesmo a pena?


Quem lê muito e costuma comprar seus livros pela internet, já deve ter batido os olhos em alguma publicidade da TAG – Experiências Literárias. O serviço de assinatura, parecido com uma Mistery Box, um conceito que faz sucesso lá fora e chegou bem rápido aqui no Brasil também, principalmente com conteúdo voltado para o público nerd e geek, oferece uma espécie de curadoria, escolhendo, produzindo e enviando um livro com acabamento de luxo todo mês para os seus associados.

O livro é sempre escolhido por alguma figura relevante do meio literário, às vezes jornalistas, às vezes críticos de literatura, outras vezes leitores de prestígio, tendo também sua cota de grandes escritores nacionais ou internacionais entre seus curadores. A proposta em si nos parece de cara bastante atraente, não só pela indicação de sujeitos ilustres ou pelo acabamento de luxo, pelos mimos que vêm embutido no pacote, mas, principalmente, porque a TAG propõe a possibilidade de dividir a experiência literária, já que a sensação de uma mesma obra sendo compartilhada por um país inteiro de associados reforça a própria ideia de clube do livro, tão antiga, mas, quase em desuso hoje em dia.

Nesse sentido, a TAG oferece ainda um serviço online, um aplicativo que funciona mais ou menos como uma rede social para seus assinantes, onde os livros escolhidos e enviados entram sempre em pauta.


Apesar de já está quase fazendo seu quarto aniversário, foi no início desse ano que a TAG fez um esforço a mais em sua publicidade. A indicação de Janeiro, feita pelo escritor Luís Fernando Veríssimo, apareceu por toda parte, nas redes sociais, em canais populares do Youtube, nas rodas de amigos até.

Eu, que sempre tive vontade de assinar a TAG, embora nunca vontade o suficiente, decidi matar finalmente minha curiosidade e paguei Janeiro como meu primeiro mês. O livro enviado por Veríssimo, Retorno a Brideshead, não me agradou inteiramente, mas a experiência, sem dúvida, me deixou ainda mais curioso. Eu recebi um livro em casa, meio que de surpresa, um livro que eu não escolhi, com uma história que eu não conhecia e certamente não teria tirado da prateleira de uma livraria, eu li esse livro e acessei uma aplicativo no meu celular com um monte de outras pessoas passando pelo mesmo processo, recebendo um livro que não teria escolhido por conta própria e descobrindo que talvez se interessasse mais por esse tipo de história, pude conversar com essas pessoas, pude até encontrar algumas pessoas na minha cidade que estavam no aplicativo também, que se reuniram comigo para falar sobre o livro numa tarde de sábado qualquer.

A experiência da TAG impressiona. É uma ideia muito velha e muito simples que demorou para se colocada em prática num mundo com quase tudo a nossa disposição ao alcance de uma tela de celular.


A caixa mistifica um pouco a experiência, tem toda uma pompa, uma perspectiva às vezes luxuosa demais. A edição é produzida especialmente para os assinantes, com acabamento específico para os assinantes (e eles fazem questão de deixar isso claro desde a folha de rosto com uma espécie de dedicatória mecânica e padrão), eles enviam um mimo (quase sempre redundante) junto com a história, alguma coisa que “ajude” o leitor em seu processo de imersão. A TAG adora falar sobre essas coisas. A maioria dos assinantes da TAG adoram falar sobre essas coisas. Essa pompa e circunstância. Mas, indo para o meu quarto mês de assinatura, posso dizer que o preço (que considero apesar de tudo bastante desproporcional) não vale pela materialidade do objeto, mas talvez a experiência como um todo lhe agrade.


Comecei esse texto para tentar entender e responder se valia mesmo a pena assinar o serviço (a TAG ou um dos outros tantos que aparecem por aí, indicados pelos booktubers por todo lugar). Como justificar para si mesmo que compensa pagar quase 100 reais numa única obra (e toda pompa que vem embutida) quando a Amazon e a Saraiva nos enfiam goela abaixo promoções variadas com obras à nossa escolha e disposição? Acho que não se justifica. O livro em si, a capa dura, a edição especial e cuidadosa, os mimos, marcadores e suplementos de debate que vem dentro da caixa são a parte que a gente realmente paga, mas, me parece agora, que são os valores agregados que mais importam.

Alguns livros indicados pelo TAG podem fazer mais barulho, porque às vezes, como no caso de As Alegrias da Maternidade, de Buchi Emecheta, ou O Alforje, da iraniana Bahiyyih Nakhjavani, são obras nunca antes publicadas no Brasil. O contrato com a TAG nesses casos pode parecer a única opção para se ter acesso a essas histórias. É um diferencial. Um algo a mais que aparece um mês ou outro se você espera com paciência. Mesmo assim, só pela coisa física, penso que é como jogar dinheiro fora se você não tiver vontade de se preocupar com esse algo a mais.

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