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Crítica: Com Amor, Simon (Sem Spoiler)


Com Amor, Simon, inspirado no romance de estreia de Becky Albertalli "Simon vs. a Agenda Homo Sapiens", é uma produção leve, mas não menos complexa, sobre um jovem, de classe média alta, que aparente vive uma vida normal. Contudo, ele guarda no fundo do armário seu mais singelo segredo: é gay.

Ao contrário do que muitos possam estar pensando, Simon não tem problemas com sua orientação sexual, nem mesmo sente medo de uma possível rejeição da família ou do seu círculo de amizades. Mas então porque guardar tal "segredo"? Pois assim, como qualquer adolescente de 17 anos, nosso protagonista está em um período de descobertas. Ele está tentando lidar com todas suas dúvidas, crises existências, mudanças comportamentais, etc...

Diante deste turbilhão de emoções, Simon (Nick Robinson) entra em uma jornada de autoconhecimento, caminhando para sua "saída do armário" quando se sentir pronto. Como o próprio diz, "é meu lance, meu direito de escolher o momento". 

Nick consegue trazer toda a sensibilidade de Simon à tona, sabendo alternar muito bem entre cenas cômicas e dramáticas. O mesmo pode se dizer do resto do elenco jovem, sendo os destaques Logan Miller e Alexandra Shipp. 


Tal jornada é solitária e vemos nas ações do protagonista a vontade de compartilhar suas experiências com alguém que sinta o mesmo. Essa necessidade é suprida com Blue, um internauta anônimo, que revela seu segredo em uma espécie de "blog/confessionário" online. É neste momento que Simon encontra alguém para dividir seus sentimentos e emoções, ocasionando uma ligação muita bem construída durante toda a trama. Procurando encontrar a identidade do misterioso Blue, o protagonista acaba encontrando respostas para seus questionamentos e o amor.

Sim, são poucos os casos como de Simon, que têm a certeza de encontrar suporte em familiares e amigos. Sei que essa não é uma realidade vivida por muitos e que ainda há um longo caminho de aceitação a ser percorrido. Todavia, mais filmes como este talvez possam fazer a diferença no futuro.

Lógico que há dramas e confusões, mas o grande destaque do filme de Greg Belardi é trazer um filme adolescente que não trata a homossexualidade como algo escandaloso, sombrio ou pesado, mas sim como algo que faz parte de um processo de autognose. Estamos diante de personagens bem trabalhados e um roteiro sensível. Mesmo que não seja o filme perfeito, sua mensagem é reconfortante.

Dialogando sobre o direito de amar, compreender a si mesmo e o próximo, Com Amor, Simon mostrar que todos nós temos direito de trilhar nossa própria história.


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