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Crítica | 7 dias em Entebbe (sem spoiler)


Estreia hoje, nos cinemas, 7 Dias em Entebbe, o novo filme de José Padilha que pretende fazer uma análise sobre uma das maiores missões contraterrorista já realizadas por Israel, na década de 70. Altamente complexa e considerada perfeita por inúmeros especialistas, o evento não é tão conhecido por nós, brasileiros. Ficando à cargo de Padilha recontar a história, assim como, capturar a atenção do público.

Na trama, um avião da Air France com destino a Tel Aviv é sequestrado por membros da Frente Popular para a Libertação da  Palestina e das Células Revolucionárias da Alemanha com objetivo de negociar a libertação de terroristas presos em Israel, na Alemanha e Suécia. Com 248 passageiros a bordo - sendo mais de cem judeus - os terroristas desviam a rota e acabam pousando no aeroporto de Entebbe, em Uganda, onde recebem apoio do ditador Idi Amim

Encarcerados por uma semana e sofrendo constantes ameaças, o filme de Padilha busca analisar, como um todo, um dos momentos mais tensos entre Israel-Palestina. Tentando mostrar a visão de cada um dos envolvidos, sejam eles políticos, terroristas ou reféns, acertando o roteiro de Gregory Burke em humanizar os personagens.



Tal visão é construída por meio dos dois terroristas alemães, Wilfried Bose (Daniel Bruhl) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike), que a todo momento têm seus ideias postos à prova, mostrando momentos de dubiedade e fragilidade psicológica. Como também, por meio dos políticos Shimon Perres (Eddie Marsan) e Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi) que representam o conflito entre as diretrizes ortodoxas do Estado israelense. E, por fim, a visão do transeunte que sofre as consequências deste combate, como explanado pelo piloto Jacques Lemoine (Denis Menóchet).

Como disse anteriormente, o roteiro acerta em trazer essa humanização, mas falha em não explorar os meios pelos quais Bose e Kuhlmann adentraram neste caminho. Utilizando-se de Flashbacks para suprir essa necessidade, mas são mal inseridos na trama, não criando algo orgânico. Os personagens secundários também são mal aproveitados. Interessantes e com a chance de enriquecer ainda mais a história, acabam sendo usados somente em momentos oportunos, o que é um pouco decepcionante.

No entanto, o grande acerto do filme é a ponte realizada entre a dança e o existente conflito. Pode parecer estranho para alguns, mas sua inserção na trama possui uma extrema importância narrativa. Aos ecos repetitivos de Echad Mi Yodea (música tradicional judaica), de uma poderosa coreografia criada pelo do famoso coreógrafo Ohad Naharin e da montagem de Daniel Rezende, vemos a crítica do longa se manifestar por meio de uma bela metáfora, deixando o espectador sem ar.



Mesmo possuindo um segundo ato um pouco morno - sendo visível a "segurada" que a produção dá para a culminação da tensão em seu ato final - 7 Dias Em Entebbe, no todo é um filme satisfatório ao abordar um evento tão importante sob uma nova ótica. Mesmo que desconhecido pela maioria dos brasileiros, o filme conversa muito bem com a situação vivida atualmente por todos nós e fará você se interessar pelo final desta história.





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