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Crítica | Baseado Em Fatos Reais (sem spoiler)


Baseado Em Fatos Reais num primeiro momento promete ser um thrilher psicológico que irá fisgar sua atenção diante de uma trama bem elaborada. Contudo, logo no primeiro ato, descobrimos que o novo filme de Roman Polanski não consegue sobreviver às expectativas, se tornando uma produção que brinca com a paciência do espectador.

Estrelado por Eva GreenEmmanuelle Seigner, o filme apresenta a história da escritora  Delphine Dayrieux (Seigner) que se encontra no auge de sua carreira literária. Colhendo os louros de uma obra elogiada pela crítica e público, conhecemos a personagem em uma sessão de autógrafos da obra. Dentre os inúmeros fãs presentes, um em particular chama sua atenção. Se apresentando como Elle (Green), o encontro da início há uma amizade que com o passar do tempo se torna tóxica. 

Dentre os inúmeros holofotes e multidões que esperam uma simples aparição da autora. Por trás de tudo isso se encontra uma mulher exausta e com um enorme bloqueio. Sobre a pressão de produzir um novo livro que possa superar todas as expectativas, é em Elle que Delphine encontra um porto-seguro. 


Se isolando cada vez mais de todos e se apoiando cada vez nesta recente amizade, o roteiro de Polanski em parceria com Olivier Assayas consegue inicialmente prender o espectador e o inserir na história, porém o mistério é desvendado logo no final de seu primeiro ato. Com uma sucessão de pistas que acabam se tornando um balde de água-fria para o espectador, o roteiro passa se utilizar de inúmeras reviravoltas para confundi-lo. No entanto, o efeito é o oposto ao criar uma história - em sua maior parte - maçante.

Diga-se de passagem, que as atuações de Green e Seigner estão ótimas. Com presenças dominantes e uma excelente química, a relação entre ambas é totalmente crível - até mesmo quando o roteiro força a barra em algumas "coincidências" -, é através delas que o público ainda sente algum tipo de conexão com o enredo. Lembrando em muitos momentos Uma Louca Obsessão (1992), os relances entre o mundo real e a loucura são bem capturados pelas atrizes.

Já trilha sonora de Alexandre Desplat, apesar de passar despercebida em alguns momentos, contribui para pontos-chaves da trama. Criando um senso de necessidade que determinadas cenas pedem.

No fim, Baseados Em Fatos Reais é um filme que poderia ter sido um grande suspense, mas diante de um roteiro nada surpreendente acaba deixando a desejar. Sendo seu maior problema, querer forçar uma complexidade em um mistério que já foi desvendado.




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