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Crítica: Um Lugar Silencioso (sem spoiler)


Imagine viver em um futuro pós-apocalíptico onde o silêncio é sinônimo de sobrevivência. Essa é a realidade de uma família em Um Lugar Silencioso, que estreia hoje, dia 05, nos cinemas. 

Sem saber como e de onde vieram, o público se depara com uma ameaça misteriosa e letal que possui inúmeros pontos de interrogação. No entanto, essa incógnita não atrapalha em nada a produção, pelo contrário, serve como combustível para nossa curiosidade. 

Ademais, logo nos primeiros minutos somos introduzidos a este mundo e sua dinâmica. Ao mesmo tempo, que conhecemos o quarteto de protagonistas liderados por Emily Blunt (Evelyn). A conexão é imediata e o roteiro do longa trabalha de forma rápida e eficiente essa ponte entre público e história.



Apesar, inicialmente, de estarmos a frente de certos arquétipos já conhecidos dentro do gênero terror/suspense como, por exemplo, a mãe condescendente, a filha rebelde ou o pai intransigente, o roteiro de Bryan WoodsScott Beck John Krasinski - que também atua e dirige o filme - consegue desvincular os personagens de barreiras narrativas e os humaniza. Ao longo da jornada pela sobrevivência conhecemos sua relação familiar, assim como, suas identidades pessoais.

Não estamos diante de um filme inovador, mas de uma produção competente dentro do gênero. A direção de Krasinski - que interpreta Lee, o pai da família - é dinâmica. Ele sabe criar toda a sensação de urgência que o filme pede, não se utilizando apenas de jump scares, mas usando o som e a ambientação como faísca para a tensão apresentada.

O som ou a falta deste, é o grande atrativo do filme. Por estarem diante de uma situação em que sua manifestação é sinônimo de perigo, são longas as cenas de completo silêncio - sendo este utilizado somente em momentos-chaves -, e isso para mim é algo sufocante. A impossibilidade de se manifestar vocalmente funciona como uma repressão, mas também, possibilita o desenvolvimento de novas percepções.


Através do olhar, corpo e a linguagem de sinais, os atores demonstram uma sensibilidade ímpar e conseguem aflorar todas as emoções de forma crível. Destaque para Blunt - que protagoniza a melhor cena do filme - e Millicent Simmonds - Regan, a filha mais velha do casal - que se entregam completamente ao papel.

Fazendo o público segurar o fôlego até o fim da sessão, Um Lugar Silencioso, cumpre o que promete: tensão total. Agora resta saber se você conseguirá sobreviver até o final desta.




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