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Crítica | Desejo de Matar (sem spoiler)


Remakes são sempre assuntos delicados na indústria cinematográfica. Na maioria das vezes não conseguindo atingir as expectativas dos fãs, raras são as ocasiões que essas produções atingem um saldo positivo. Contudo, seria Desejo de Matar estrelado por Bruce Willis uma exceção?

Baseado no filme homônimo de 1974 estrelado por Charles Bronson, estamos diante de um remake que foi modernizado e trouxe algumas mudanças em sua narrativa. Na trama, conhecemos  Paul Kersey, vivido por Willis, um cirurgião de classe média alta que vive com sua família no subúrbio de Chicago que fatalmente vê sua vida tomar uma rota totalmente inesperada quando sua esposa e filha acabam sendo vítimas de um assalto mal sucedido. 

Desacreditado no sistema, o médico decide liderar uma vingança contra aqueles que fizeram mal a sua família, deixando um rastro de violência por onde passa. Em uma época em que o porte de armas é pauta de inúmeras discussões, estamos diante de um filme com a temática de se fazer justiça com as próprias mãos.

Tema abordado inúmeras vezes, mas que no momento se encontra em alta, principalmente no EUA, o diretor Eli Roth deixa a peteca cair ao não trazer a discussão aprofundada sobre o posicionamento para a tela do cinema. Há pequenos flashs da uma possível introdução ao conflito que permeia a temática mas esse é rapidamente dissipado. A história não ousa, deixando de trazer uma reflexão para o espectador, o que acaba fazendo com que o roteiro de Joe Carnahan siga para um caminho recheado de conveniências narrativas. 


E antes que você diga que este é um filme brucutu onde o objetivo é a ação e a violência desenfreada, o original fazia um bom trabalho em retratar a loucura contida nos atos de seu protagonista, enquanto neste Willis é um personagem intocado, culminando em um final onde sua violência é totalmente justificada.

Não há consequências, dando a impressão que a transformação do dia para a noite em um justiceiro é algo comum, banal. O próprio desenvolvimento do personagem e sua transformação nesse "anti-herói" é pouco convincente. 

Por falar nisso, o gore não é nada que vá lhe surpreender, inclusive as cenas perdem um pouco de impacto, pois sempre há a necessidade de ser introduzida uma piada no meio do diálogo. No entanto, devo confessar que os efeitos sonoros do longa são trabalhados, convencendo o espectador do poderio das armas utilizadas. O mesmo pode se dizer da trilha sonora que é divertida e inserida nos momentos certos.

Fazendo um balanço geral, Desejo de Matar deixa a desejar ao não trazer algo mais ousado, não conseguindo sair da sombra do original.




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