Swift

Crítica | Os Estranhos - Caçada Noturna (sem spoiler)


Lançado em 2008, Os Estranhos conquistou uma legião de fãs. Tendo feito um relativo sucesso de bilheteria e sabendo trabalhar tanto o terror como o suspense, não é de hoje que se pede uma continuação do filme. Dez anos se passaram e o pedido foi realizado. Estreando dia 07 de junho, uma nova história chega aos cinemas, sim, os mascarados movidos pelo desejo de matar estão de volta em Os Estranhos - Caçada Noturna.

Na trama, o casal Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson), juntamente com seus filhos, Kinsey (Bailee Madison) e Luke (Lewis Pullman) saem em uma viagem com destino ao novo internato que a filha caçula irá frequentar. Contudo, antes de chegarem ao destino, optam por passar a primeira noite num acampamento de trailers administrado pelos tios de Cindy, que logo se torna o pior pesadelo desta família.

Possuindo a mesma fórmula do seu antecessor, o diretor Johannes Roberts traz com força a vibe slash dos anos 80, talvez com intuito de homenagem, já que a produção lembra em muito clássicos como Christine - O Carro Assassino (1983), Sexta-Feira 13 (1980) e até mesmo o desconhecido (mais um favorito desta editora) Acampamento Sinistro (1983). É como se estivéssemos assistindo alguma produção desta década, se não fosse pelos telefones de última geração que aparecem em tela e nos fazem lembrar que estamos assistindo o filme em pleno 2018.

Não me entenda mal, mas trabalhar com a nostalgia tem seus erros e acertos. Eu mesma sou uma dessas pessoas que vive consumindo produtos que trabalham com esse elemento, mas é importante lembrar que apenas esse fator não segura uma produção, sendo este o maior erro do filme. Como disse, você é jogado nessa vibe oitentista, por ela ser bem trabalhada no filme, principalmente no quesito direção, porém a falta de um roteiro bem estruturado e a presença de quatro protagonistas rasos deixa o resultado final bem tedioso e previsível.


Inicialmente o filme trabalha com mini arcos que até criam um interesse no espectador como, por exemplo, a personalidade problemática da filha adolescente, que é o estopim de toda trama, mas em nenhum momento é aprofundada. Ou até mesmo, o relacionamento do casal, que através de certas deixas, dá a entender que está em crise. Baseando-se apenas em insinuações e não criando um suporte para esses núcleos, o filme se torna vazio, fazendo você assistir por uma hora e meia personagens correndo de um lado para o outro, sem que o espectador tenha o menor vínculo com eles.

A quebra de expectativa até que ocorre em dois momentos específicos - sendo um deles a melhor cena do filme - o que cria um fio de esperança, mas novamente o roteiro Ben Ketai e Bryan Bertin segue pela rota mais fácil criando uma nova frustração para aqueles que assistem, gerando uma sucessão de escolhas preguiçosas.

Ademais, o ponto mais forte da produção se encontra em sua trilha sonora. Novamente, jogando pesado com a nostalgia, somos agraciados com músicas como Making Love Out Of Nothing At All  do Air Supply ou Total Eclipse of the Heart de Bonnie Tyler enquanto um verdadeiro massacre ocorre em tela. Pode parecer estranho, mas é um encontro que casa muito bem.

No fim, Os Estranhos - Caçada Noturna não consegue convencer, sendo seu retorno difícil de agradar até mesmo os fãs mais nostálgicos. 




LEIA TAMBÉM