Swift

Indicações de olhos fechados: Mary e Max


Como fã de animação estou sempre à procura de produções que estejam fora da conhecida fábrica de fazer dinheiro chamada Disney. Há muito tempo, quando eu iniciava minha faculdade de Audiovisual, me deparei com uma animação que visualmente e narrativamente me causou muita estranheza – mas logo você se acostuma, pois com ela vem uma carga dramática e uma lição de moral maior do que qualquer filme que eu tivesse assistido na época. 

Mary e Max - Uma Amizade Diferente é uma produção australiana que demorou 5 anos para ser finalizada. Com personagens nada atraentes para as crianças, o filme é todo em stop motion e conta a história de Mary, uma garotinha do subúrbio australiano de 8 anos que através de uma lista telefônica encontra o endereço de Max, um idoso hipocondríaco de Nova York, a partir daí uma improvável amizade nasce de uma troca de cartas entre os dois.


Com uma narrativa precisa e bem estruturada, o diretor trás para a tela um sentimento real, trazendo coisas normais e reais do nosso cotidiano, como nossos terríveis hábitos alimentares, dificuldades na escola, empregos, etc... Também podemos observar vários sub-textos no roteiro, mas o filme é uma história sobre isolamento e principalmente a necessidade de ter amigos. Apesar de muitas partes serem engraçadas, o resultado de muitas cenas nos traz uma sensação real de melancolia. 

A paleta de cores é outro ponto alto da produção, pois compõe um visual único. Variando entre tons de sépia com detalhes saturados e outros em tons de cinza para refletir o tom depreciativo, quase claustrofóbico e sombrio da narrativa. Muito rico em detalhes, o filme transpassa visualmente que teve muita paciência “investida” que resultou num ótimo trabalho. 


Para quem ainda não assistiu, este é um filme que entrou para o meu combo de “memoráveis”: que são aqueles filmes que você lembra do começo ao fim e nunca pensa duas vezes antes de indicar para alguém.

LEIA TAMBÉM