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Love Yourself: Tear - BTS traz uma mistura de gêneros harmoniosa


É impressionante a influência do BTS (Bangtan Soyeondan) no cenário musical. O septeto sul-coreano tem quebrado inúmeros recordes e ganho fãs ao redor do mundo. Tendo já escrito sobre o grupo anteriormente aqui no blog, um dos questionamentos mais comuns que me deparo é: Como um grupo de K-Pop que canta em coreano possa estar se tornando uma potência da indústria musical?

Particularmente, o grande mérito do BTS se encontra em sua narrativa. O grupo aborda temas que são fáceis de se correlacionar, já que em suas letras vemos abordagens sobre saúde mental, a busca pelo amor (seja por outro ou próprio), questionamentos sociais e até mesmo políticos. 

O seu mais recente álbum Love Yourself: Tear, lançado na última sexta-feira (18), mostra como a musicalidade de suas produções sabe conduzir o ouvinte dentro da ideia central de cada trabalho, mesmo que este não saiba coreano. Se aventurando por uma infinidade de gêneros, o LP é muito coeso dentro desta diversidade e consegue criar faixas bem interessantes.

Sendo o segundo trabalho dentro da era Love Yourself - iniciado com Love Yourself: Her (2017) - acho que o terceiro álbum de estúdio do grupo meio que organiza a casa e traz espaço para as experimentações, algo que definitivamente faltou em Her

Se anteriormente foi abordado a busca pelo amor e seus significados, em Tear vemos o outro lado da moeda. Muito mais melancólico, sua abordagem é bastante introspectiva ao abordar as inseguranças, dores e infortúnios que o amor ou a falta deste pode trazer.

Iniciando com a Intro: Singularity, V, possuidor de uma voz marcante e versátil simplesmente passeia por essa fusão entre R&B, Jazz e Soul criando inúmeros contrastes enquanto recita as dificuldades de manter o seu EU interior. Ao longo da faixa vemos como tom aveludado de sua voz (barítono) traz um tom sombrio ao narrar o conflito interno que vive. 


Seguindo dentro da mesma temática, somos apresentados a FAKE LOVE, mostrando a primeira das experimentações do grupo, ao unir uma guitarra bem característica do grunge com o EDM e o Trap. Muitos podem discordar de mim, mas alguns elementos sonoros me fizeram lembrar a era The Most Beautiful Moment in Life.

Não se engane com está música, por mais que ela seja um verdadeiro BOP, a atmosfera soturna permeia toda a faixa, a medida que os membros revelam como estes se anulariam ou viveriam uma ilusão para que estes sejam amados. É uma composição que cria inúmeras interpretações, mas o fato de falar tanto sobre criar uma faceta/máscara para que assim ganhe um respectivo afeto, na minha opinião, mostra a certa dualidade de personalidades que eles devem viver no meio musical. Algo que  conversa muito com que RM mencionou durante o documentário Burn the Stage, ao dizer como a indústria e o público exige uma excelência inatingível fazendo com que aos poucos cada um se sinta sufocado perante as pressões de manter um espectro que beira a perfeição, basicamente anulando parte sua personalidade.

Novamente é o conflito de manter sua verdadeira essência diante de tantas implicações, sendo tais questionamentos elevados em The Truth Untold. Uma faixa que externa uma tristeza impactante, pois cada trecho soa como uma confissão dos medos e dores que estes possuem. Contendo a participação da vocal line do grupo - V, Jin, Jimin e Jungkook - creio que será uma das músicas favoritas do público. Os melismas, a simplicidade do piano e o toque do Steve Aoki traz uma intimidade conforme os membros expõem suas emoções - "You know that I can't, show you Me, give you Me" - e vai ser difícil não se emocionar.

Continuando nessa onda meio depressiva, 134340 - atual nome do antigo planeta Plutão - composta por Suga, traz um som, que para muitos pode ser Jazz, mas pessoalmente me lembrou muito Bossa Nova e digo que essa faixa é o diamante escondido deste álbum. Toda essa profusão de sentimentos das faixas anteriores são correlacionadas com a exclusão de Plutão do sistema solar, criando paralelos extremamente inteligentes entre as questões pessoais dos integrantes e o fato científico. Na minha opinião, a melhor faixa do álbum.


Paradise é outra faixa que também roubou minha atenção, pois conversa muito com que a maioria da juventude e diria até jovens adultos estão vivendo hoje. Hoje em dia sonhos, metas são algos inerentes a condição do ser humano e aqueles que não os possuem ou se encontram perdidos dentro dessa imensidão de pressões sociais que vivemos, são rotulados como fracassados. A letra de Paradise conversa muito com essa temática e assegura que você não é menos especial ou capacitado por não tê-los. Siga em frente, não deixe de viver por conta de um padrão. Definitivamente uma abordagem bem madura sobre o tema.

Logo em seguida, Love Maze e Magic Shop são responsáveis por trazer um certo alívio a quem está escutando. São as duas composições mais genéricas do projeto - no sentido de experimentação - apesar de compreender a importância de suas narrativa dentro da ideia central e como são responsáveis por realizar a transição para segunda parte do álbum. 

Em sua segunda parte, encontraremos uma certa progressão musical. Começando por Airplane pt. 2, ao trazer o ritmo latino para este LP. Algo que sempre quis que o BTS tentasse era se aventurar pela música latina, pois acho que combina muito com a vibe do grupo - principalmente J-Hope - agora imagina minha felicidade ao descobrir que eles uniriam o ritmo à uma continuação de Airplane - minha música preferida de Hopeworld - é uma combinação que não tinha como dar errado. É prazeroso ouvir os integrantes refletirem sobre as mudanças em suas vidas e o ponto em que suas carreiras se encontram atualmente, tudo acompanhado de uma melodia viciante - "El mariache, El mariache, El mariache" -. Big Hit, por favor, providenciar o MV desta música.


Ademais, Anpanman e So What trazem uma sonoridade mais dançante mas que provocam um efeito em comum: o de nostalgia. Primeiramente, Anpanman é uma música mais animada que tira um pouco do peso que o álbum carrega. Possuindo uma influência tropical, perfeita para o verão, a letra é divertida e bem a cara do grupo, que gosta de usar metáforas para se auto-descrever. No caso, Anpanman é o super-herói mais fraco do mundo e os membros o usam na música como uma representação de si mesmos. Mesmo sendo pessoas normais, os membros têm o desejo de se tornarem super-heróis, sendo sua música o poder responsável para ajudar aqueles que necessitam.

So What traz uma mistura de EDM com Europop e toda vez que escuto automaticamente Lasgo vem a minha memória. Acho que por possuir uma som bem característico dos anos 2000 que essa sensação de nostalgia bate. É uma canção um pouco mais leve também, onde a letra encoraja você a esquecer-se dos problemas e simplesmente viver. Mesmo que isso seja imprudente e cause consequências, não há problema, pois faz parte do nosso amadurecimento como ser humano.

Por fim, Outro: Tear, traz a rap line para fechar o álbum.  A melhor maneiro que posso descrever essa música é como um soco no estômago. Usando o fundo do highlight reel, a faixa engana nos primeiros minutos para depois sermos surpreendidos com uma batida extremamente agressiva, externada através dos rap de J-Hope, Suga e RM. 

É como se tudo culminasse nessa raiva, onde cada um quer simplesmente gritar e por para fora tudo o que está sentindo. Trazendo uma sensação de catarse no final dessa jornada emocional que Love Yourself: Tear nos proporciona.



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