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Resenha | O Ceifador



Imagine um mundo sem guerras, fome ou doenças. Não, o post hoje não é sobre a música de John Lennon, e sim sobre o livro de Neal Shusterman, que criou esse mundo utópico, no qual a humanidade já descobriu tudo que haveria ser descoberto e com isso venceu até a morte. 

“A maior conquista da raça humana não foi vencer a morte. Foi vencer o governo.”

Sabe quando um livro te pega de jeito e você fica tentando convencer todos a lê-lo também? Eu preciso dizer que não farei nenhum mistério e já adianto que estou completamente apaixonada por esse livro e minha missão aqui é somente trazê-los para esse mundo fantástico de O Ceifador

“Realmente acredito que os mortais se esforçavam mais na busca de seus objetivos porque sabiam que o tempo era fundamental. Mas nós? Podemos adiar as coisas muito mais fácil do que os condenados a morrer, porque a morte agora se tornou a exceção, e não a regra.”

Em O Ceifador, pessoas centenárias podem voltar a ter a aparência de um jovem de 20 anos, não há mais desigualdade social, a taxa de crimes é quase nula e nem há necessidade de governo pois a Nimbo-Cúmulo — uma consciência infinita e incorruptível — consegue controlar tudo de forma muito mais eficiente do que qualquer humano seria capaz. Mas, não há como o planeta suportar uma população que só cresce, é preciso haver um controle populacional e assim foram criados os ceifadores, os únicos capazes de pôr fim à uma vida e inclusive à própria. 

De início somos apresentados à Citra e Rowan, dois adolescentes que acabam de certa maneira impressionando o honorável ceifador Faraday e assim, sendo escolhidos como aprendizes de ceifador, papel que nenhum dos dois tem vontade de desempenhar. 

“Devemos estar sempre atentos, pois o poder vem infectado com a única doença que nos resta: a natureza humana. Temo por todos nós se os ceifadores começarem a amar o que fazem.” 

Para conquistar o manto e o anel, os dois precisam dominar a arte da coleta, o que quer dizer que eles precisam aprender as variadas formas de matar alguém. Acontece, que o ceifador Faraday só tem um anel para passar a frente, ou seja, só um dos dois poderá se tornar um ceifador, então em algum momento precisarão competir, com a ameaça de que se falharem poderão colocar a própria vida em risco. 

“Mas você não pode negar que é um momento decisivo em sua vida, e todo momento decisivo deve ser marcado por um evento, um evento para ficar gravado em você de forma tão permanente quanto uma cicatriz.”

Como eu citei anteriormente, a incorruptível Nimbo-Cúmulo controla toda essa sociedade, mas uma coisa que não contei é que ela não pode se intrometer em assuntos da Ceifa, que é controlada por corruptíveis humanos. Agora, um grupo de ceifadores “inovadores” surgem com suas filosofias. Será que a ceifa deve preservar o tradicional método ou abrir a mente para as ideias desse grupo “visionário”? 

“O que mais desejo para a humanidade não é a paz, o consolo ou a alegria. É que ainda morramos um pouco por dentro toda vez que testemunhemos a morte de outra pessoa. Pois só a dor da empatia nos manterá humanos. Nenhum Deus vai poder nos ajudar se algum dia perdermos isso”

Aqui em O Ceifador,  não há pontas soltas, tudo é muito bem amarrado! E é tão envolvente, que eu sentia saudade quando tinha que largar o livro.Sabe quando você termina um livro e se sente grato por ter tido o prazer de lê-lo? Foi assim que me senti. Eu gostei tanto, que essa resenha foi uma das mais difíceis de escrever, pois eu não conseguia organizar meus pensamentos e transmitir um pouco do quanto ele é bom. Com certeza se tornou um dos preferidos da vida e não vejo a hora de ler o segundo livro, “A Nuvem”, e voltar aqui para falar mais uma vez sobre esse mundo fantástico.

“Descobri que os seres humanos aprendem com seus erros tanto quanto aprendem com suas boas ações. Sinto inveja disso, pois sou incapaz de cometer erros. Se não fosse, meu crescimento seria exponencial.”

Título: O Ceifador - Scythe vol.1
Autor: Neal Shusterman
Editora:  Seguinte - Companhia das Letras
Páginas: 448


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