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Crítica | Hereditário (sem spoilers)


Tendo recebido inúmeros elogios desde seu lançamento, Hereditário conquistou a crítica. O filme da produtora A24 - que tem lançado boas produções como A Ghost History, A Bruxa, Projeto Florida e o Sacrifício do Cervo Sagrado - estreia hoje nos cinemas com a missão de alcançar todas as expectativas criadas pelo público.

Sob o pretexto de ser "o novo Exorcista desta geração", como definido pela Time Out New York, o filme dirigido e roteirizado por Ari Aster num primeiro momento não revela suas pretensões. Possuindo um trailer um tanto confuso quanto assustador, a produção evoca tais sentimentos nos minutos iniciais. Apesar da aparente tranquilidade há uma ameaça sufocante a cada transição de cena.

Sabendo trabalhar tais sensações ao longo de toda a trama até a esperada catarse final, Hereditário é um filme que não opta inicialmente por ritmo rápido - algo costumeiro nos filmes do gênero - mas sim, por uma torturante demora em revelar respostas e intenções, sem nunca deixar o expectador desinteressado pelo arco desenvolvido. 

Muito conciso, a história se inicia com uma tragédia ao mostrar nossos protagonistas - encabeçados pela excelente e versátil Toni Collette (Annie) - se arrumando para o funeral da matriarca da família. Em meio aos preparativos deste mórbido evento, temos os primeiros vislumbres dos personagens, suas respectivas interações familiares e como o fato afetou cada um dos membros.

créditos: Diamonds Films
Através de poucas palavras e se atentando mais aos gestos, olhares e expressões corporais vemos a forma como cada um lida com o luto. Da apática Annie ao preocupado Steve (Gabriel Bryne), ao depressivo Peter (Alex Wolf) e a incompreendida Charlie (Milly Shapiro) - incrível por sinal -. há rupturas e mágoas não reveladas, que vem a ser aflorados a cada ato e evidenciados pelo cuidado estético em cena. O uso de cores predominantemente amarelados, esverdeados e azuis trazem uma sensação de melancolia que existe nesses personagens. Enquanto a utilização do zoom - que por sinal lembra muito o de Kubrick - traz a estranheza e o medo de uma ameaça invisível que paira sobre está família.

As primeiras peças começam a se encaixar e o horror se torna o principal foco. Sem se utilizar dos conhecidos jump scares, o filme incita o medo do expectador a cada corte ao colocá-lo como uma testemunha dos fenômenos vividos pela família, deixando que este crie suas próprias conclusões para que após sofra com  as eventuais quebras de expectativas que o roteiro traz. A trilha sonora é outro ponto a ser mencionado uma vez que ao ser utilizada da maneira correta mostra sua importância para a respectiva imersão do público na trama.

Por mais que você chegue vivo ao final desta jornada, Hereditário é um filme que te atormenta mesmo após o final da sessão. Possuindo um tema já conhecido do terror, o filme trabalha sua história de uma forma não tão conveniente, provocando uma constante agonia e ansiedade ao longo de sua projeção.




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