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Resenha | A Luz que Perdemos


Estamos em Junho, mês do meu aniversário dia dos namorados, e embarcando nesse clima de romance, hoje trago a resenha do livro "A Luz que Perdemos". Quando recebemos uma cópia da editora Arqueiro foi amor à primeira vista por essa capa. Que coisa mais linda! Agora, e a história? É tão linda quanto a capa? Vamos descobrir!

A Luz que Perdemos vai contar a história de Lucy Carter e Gabriel Samson, que se conheceram no dia 11 de Setembro de 2001, um dos dias mais trágicos da história dos Estados Unidos. Em meio aos acontecimentos, eles se conectam e o envolvimento entre os dois se torna rápido e inevitável e juntos, eles questionam muitas coisas e decidem que farão algo relevante em suas vidas. Apesar desse envolvimento instantâneo, eles não ficaram juntos e acabaram perdendo o contato durante alguns anos, até que no aniversário de 23 anos da Lucy eles se reencontram e vivem um intenso amor.

“ — (...) Acho que não é carma, na verdade. É mais tipo: você acha que nos amamos assim, tanto, com tanta força, porque meu pai era um idiota? Será uma compensação por ter passado por tudo aquilo? — perguntou você, indicando com um gesto nossos corpos nus. — Ou será que, por usufruir disto agora, vou ter que sofrer depois? Será que cada um de nós só recebe do mundo uma quantidade limitada das coisas boas?”

Gabe, apesar de ter mantido em mente a decisão que Lucy e ele haviam tomado juntos de fazer algo relevante, tinha ido pelo caminho mais fácil e estava preso em um trabalho que não o agradava e ao ver Lucy, cumprindo seu objetivo, trabalhando em uma produtora de programas infantis, que para além de diversão, buscava influenciar o público positivamente com animações que traziam como tema respeito, feminismo, cidadania, etc., decide retomar seu objetivo e se tornar um fotojornalista. Acontece que seu plano não inclui Lucy e mais uma vez eles acabam se separando.

“O amor faz isso. Faz você se sentir invencível e infinito, como se o mundo inteiro estivesse à nossa disposição, tudo pudesse ser conquistado e todo dia fosse repleto de maravilhas. Talvez porque nós abrimos para alguém, nós deixamos penetrar pelo outro. Ou talvez seja se doar tão profundamente a outra pessoa que o coração da gente se expande.

A Luz que Perdemos, não é um livro que vai agradar à todos. Seu tom melancólico e reflexivo vai mais de encontro com a alma e com a vivência do leitor do que por puro gosto literário. Você pode até achar o enredo chato ou arrastado, mas se permitir ele dialogar com sua alma, você irá refletir  e questionar coisas sobre a própria vida.

"Há pessoas com quem cruzamos na vida e que, depois que se afastam da gente, deixam de fazer parte dela. Mesmo quando encontramos de novo, ficamos apenas com um "Oi, como vai?". Com outras, no entanto, a impressão é de retornarmos sempre a conversa do ponto exato em que interrompemos."

Creio que o que mais me marcou no livro foi o questionamento: Existe destino ou tudo é resultado de nossas escolhas? Eu não gostei de como o livro foi narrado, achei a personagens diversas vezes chata e o enredo um pouco arrastado, mas o questionamento central do livro foi tão impactante pra mim que apagou tudo o que eu tinha achado negativo. Será que colocar seu sonho em primeiro lugar, acima de tudo e todos, te torna egoísta? Será que por amar alguém, você deve sempre incentivar essa pessoa por mais que seus planos não te incluam? São tantos questionamentos que são gerados a partir desse pequeno livro. Foi uma leitura difícil para mim e escrever sobre ele está sendo ainda mais difícil, mas tenho tranquilidade em dizer: Leiam até o fim e permita-se ser tocado por ele.

"Você me marcou. Sabia? Você. O 11 de Setembro. Quem sou, as escolhas que fiz, devo a você. Por causa daquele dia."

Título: A Luz que Perdemos
Autora: Jill Santopolo
Editora: Arqueiro
Páginas: 272

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