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Sense8 | É hora de dizer adeus ao cluster


Tudo que é bom chega ao fim, mesmo que às vezes de forma abrupta. Após a Netflix ter anunciado o cancelamento da série em junho do ano passado, fãs se mobilizaram e pediram que um final digno fosse dado à história. Muito bem, um ano se passou e estamos a dois dias do episódio que marcará o adeus ao cluster.

Com um certo gosto agridoce na boca, tive o prazer de conferir essa despedida com certa antecedência e agora tenho a difícil tarefa de traduzi-la para vocês por meio deste texto. Totalmente livre de spoilers, acho que o mais importante é comentar a experiência arrebatadora que é ver um finale ao lado dos fãs da série, assim como prepará-los para conclusão.

Em meio a gritos, soluços, palmas e declarações de amor, por cerca de duas horas e meia fui envolvida nessa maluca - mas ao mesmo tempo sensível - jornada que é Sense8. Iniciando exatamente de onde a trama parou vemos, o grupo - formado por Will Gorski (Brian J. Smith)Riley Blue (Tuppence Middleton)Capheus "Van Damme" Onyongo (Toby Onwumere)Sun Bak (Doona Bae)Lito Rodriguez (Miguel Angel Silvestre)Kala Dandekar (Tina Desai)Nomi Marks (Jamie Clayton) - tentando libertar de toda maneira Wolfgang (Max Riemelt) das garras da OPB, ao mesmo tempo, que mantém encarcerado e resguardado Sussuros (Terrence Mann), uma cartada perigosa contra a organização.

créditos: Netflix
Estabelecendo a base da trama, somos envoltos em uma corrida contra o tempo. Literalmente Lana Wachowski não perde tempo em desmembrar os inúmeros arcos da série. Por óbvio, por estarmos diante de um único episódio e não de uma temporada, escolhas tiveram que ser realizadas e histórias priorizadas diante de uma série com oito protagonistas, e acho que a diretora faz um trabalho digno e consegue amarrar as pontas soltas.

É preciso ressaltar que mais do que um finale, a produção é um grande fan service - eu não posso falar para não estragar a experiência de vocês, mas sério se preparem porque é um tiro atrás do outro - sinceramente não há nada de errado nisto. Sim, há clichês e alguns furos de roteiro - diante do curto espaço de tempo que foi dado a sua finalização - mas acima de tudo durante toda projeção é palpável a gratidão dos envolvidos no projeto com os fãs, e o amor desses diante da história contada. É uma troca sinérgica que torna a conclusão ainda mais memorável, sendo difícil não se emocionar.

É crível a emoção do elenco e todos sem exceção apresentam uma ótima atuação, principalmente Jamie e Freema Agyeman (Amanita), responsáveis pelo diálogo mais poderoso do episódio. Outro destaque fica a cargo de  Michael X. Sommers (Bug), o ator é um deleito em tela e literalmente rouba a cena. Aliás um dos fatores que mais me chamou a atenção, foi o foco nos personagens coadjuvantes e o envolvimento desses na trama, sendo muito bem utilizados. 

créditos: Netflix
Possuindo uma fotografia belíssima e uma direção sensível, Sense8 mostra que por traz de toda sua complexidade e grandiosidade possui uma mensagem simples, ao mesmo tempo, difícil de ser alcançada diante dos tempos atuais. 

Sendo a coletividade a chave para nos conectarmos uns com os outros, a série mostrou a diversidade, discursou sobre inclusão e pregou o amor. Como 4 Non Blondes diz na canção emblemática da série, "And I scream from the top of my lungs, what's going on?", ainda temos um caminho longo pela frente, mas é através dos mais simples sentimentos, como a empatia com o próximo, que podemos alcançar a almejada felicidade. Uma tarefa trabalhosa mas que Sense8 nunca desistiu de discursar. 

Obrigado, cluster.

"Sense8 - Episódio final" estreia dia 08 de junho na Netflix.

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