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Crítica | Ilha dos Cachorros


Em 2009, Wes Anderson se aventurou no "mundo" das animações de stop motion com o filme, "O Fantástico Sr. Raposo", indicado ao Oscar de melhor animação em 2010, devido uma série de fatores, mas com sua direção artística e seu roteiro como destaques. Agora, em 2018, vem com uma obra prima, chamada "Ilha dos Cachorros", que se destaca com seu roteiro original (escrito por Anderson), sua direção e a direção de arte, e que, provavelmente estará entre os indicados ao Oscar de melhor animação da próxima edição. 

O longa se passa em um Japão futurista, na cidade de Megasaki, onde os cachorros foram exilados em uma ilha cheia de lixo devido a doenças caninas que podem afetar os seres humanos. Atari Kobayashi, dono de um dos cachorros que foi para a ilha e sobrinho do prefeito da cidade, decide se aventurar, na agora Ilha dos Cachorros, para encontrar seu companheiro — Spots. 

Com uma trama aparentemente simples, o filme aborda diversos temas, como regimes autoritários, política, corporativismo, demagogia, boatos e fake news, e por aí vai. Eles são apresentados de forma natural em seu decorrer, sem nenhum exagero, e com isso se cria uma atmosfera séria e dramática, mas, ao mesmo tempo, ela é cômica, sarcástica e inteligente em seu todo. 

A direção de arte do filme é espetacular. A utilização do Stop motion é de deixar qualquer um de boca aberta, seja no detalhe dos animais e dos humanos, tanto visual, quanto físico, seu modo de andar, falar e suas expressões faciais; nos cenários, como os diversos lugares da Ilha dos Cachorros e a cidade de Megasaki, é tudo muito bem feito e rico de detalhes. 


O elenco de dubladores do filme tem diversos atores famosos, como Bryan Cranston (Chief), Scarlett Johansson (Nutmeg), Bill Murray (Boss), Jeff Goldblum (Duke) e não tão famosos, como Koyu Rankin, que dubla Atari. Todos que compõem o elenco, que vai muito além dos citados, trazem originalidade aos personagens, apresentam emoção e sinceridade com suas dublagens. 

Outro fato que chama atenção no filme, relacionado às dublagens, é que o diretor preferiu que os humanos, japoneses, não tivessem suas falas legendadas, os deixando com suas vozes originais em todo o desenrolar do longa, deixando o espectador interpretar o que está sendo discutido/argumentado em certas cenas. 

Wes Anderson capricha em mais um longa, "Ilha dos Cachorros" é admirável em diversos pontos, a direção de arte do filme é belíssima, sua direção e seus temas abordados são coerentes e interessantes, tudo no filme anda em sincronia, tendo tudo para vencer o prêmio de melhor animação na próxima edição do Oscar.





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