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Crítica | Missão Impossível: Efeito Fallout (sem spoilers)


Difícil imaginar James Bond sem o relacionar ao espião vivido pelo ator Daniel Craig ou imaginar o bruxinho Harry Potter sem lembrar em Daniel Radcliffe. Há atores que incorporam tão bem seus protagonistas que acabam se tornando a imagem do personagem. O mesmo acontece com Tom Cruise ao interpretar o agente Ethan Hunt e, em seu sexto filme, Missão Impossível: Efeito Fallout, fica ainda mais evidente de que é impossível imaginar a franquia MI sem Tom Cruise. 

Não há uma cena em que Cruise deixe de fazer por conta própria, evitando o uso de dublês desde as partes simples como nas partes perigosas. Tudo para causar a maior impressão de realidade para o público e causar mais tensão por imaginar o ator em situações tão desesperadoras. É de se imaginar que a qualquer momento algo de ruim aconteça com ele.   

Tom Cruise está ótimo nas cenas de ação, ele corre, luta, pula de prédios, participa de perseguições com helicópteros, carros e motos e ainda pula de um avião, de uma altura considerável. Efeito Fallout conseguiu algo que não havia ocorrido em Missão Impossível 5: Nação Secreta, que foi melhorar a produção das cenas de ação. Há sempre uma expectativa para o que irá acontecer, já que Tom Cruise sempre faz uma cena épica em cada episódio da franquia e dessa vez ele também não decepciona.


A cena do pulo de pára-quedas é fantástica e de causar vertigem em muitos que têm medo de altura, e ainda a cena do helicóptero, em que Tom Cruise escala uma corda para entrar na cabine. Tudo de forma surpreendente e com muita tensão, pois há um clima de realidade que havia se perdido nos filmes anteriores da saga — em que pensaram mais na produção de cenas acrobáticas, e sem um toque de realidade, do que em fazer cenas de ação com maior nível de normalidade. 

MI6 é muito bem pensado ao criar cenas épicas de ação, como há muito havia se perdido no cinema, inserindo o telespectador na trama e com essas cenas de perigo, que geram uma maior relação entre produção e público. 

Difícil imaginar um longa de ação sem cenas de lutas e tiros, e até nisso Efeito Fallout se sai bem. Desde que John Wick estreou nos cinemas, com lutas realistas, outras produções passaram a copiar o estilo do protagonista interpretado por Keanu Reeves. As cenas de luta em MI6 estão bem coreografadas e há mais intensidade no jeito em que elas acontecem. 

Há uma clara mudança em relação ao personagem de Ethan Hunt, o transformando aqui em algo que havia se perdido no caminho, durante os filmes anteriores da franquia, que é a de mostrar o agente como um ser humano e não um super-herói ou um super-humano. Ele é um homem com habilidades especiais, essa sua humanidade é mostrada desde o início com ele errando e deixando o plutônio cair em mãos erradas, desencadeando tudo o que ocorre durante o filme, e com o desenrolar da trama Hunt se machuca, apanha e sangra — algo que não era visto há tempos, e que só deixa o personagem melhor e mais interessante.


Tom Cruise e Henry Cavill formam a dupla de protagonistas, roubando a atenção quase que exclusivamente para eles. Alguns personagens com destaque em outros filmes da franquia deixaram de ter mais foco e passaram a ter menos tempo, com exceção de Simon Pegg que continuou com ótimo papel do espião trapalhão (com menos cenas de atrapalhadas), mas com mais cenas de luta, fazendo com que tenha uma clara transformação do agente em alguém mais sério. 

Já outros personagens secundários se esvaziaram ou nem tiveram tanta relevância, como é o caso de Ilsa Faust (Rebecca Fergson) e do chefe da agência, Alan Hunley (Alec Baldwin), que perderam mais tempo de tela, para não dizer na aparição de Michelle Monaghan — que fez quase que uma aparição relâmpago. 

Solomon Lane é o vilão que ganha menos destaque do que deveria, e só realmente aparece a partir do segundo ato, interpretado de maneira magnífica por Sean Harris. É sádico, irônico e arrogante uma pena ter sido tão mal trabalhado na trama e fica só na promessa de grandiosidade, já que todo o destaque está para o outro antagonista de Henry Cavill.


O humor que estava bastante presente nos dois últimos episódios da franquia, puxado por Simon Pegg, parece ter ficado mais de lado para deixar tudo um pouco mais sombrio. Há cenas em que o humor desnecessário acaba por atrapalhar a ação ou dá uma quebra em algo relevante e foi muito bom que isso não tenha acontecido em Efeito Fallout. 

Por fim, Tom Cruise é o dono do show e se sobressai da sua geração de atores, em seus papéis — além de ultimamente se tornar referência em filmes de ação. Produções como Jack Reacher, Feito na América e A Múmia, só mostram que o ator está longe de parar de fazer filmes de ação. Na verdade, parece que ainda estamos apenas no início da dinastia Tom Cruise.






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