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Crítica | A Noite Que Devorou o Mundo


A "onda" dos zumbis já existe faz tempo e, geralmente, os mortos-vivos seguem um mesmo padrão, estão sempre com pedaços do corpo faltando, andando lentamente (ou correndo), grunhindo, sempre com o mesmo objetivo: saciar sua fome "infinita". Eles estão em tudo, jogos, quadrinhos, livros, HQ's, séries, filmes, e por aí vai. Mesmo que a grande maioria do conteúdo televisivo e cinematográfico oriundo dos zumbis seja genérico, "A Noite Devorou o Mundo" veio para quebrar esse paradigma, explorando os próprios zumbis, a sobrevivência humana em torno de um apocalipse dos mortos-vivos e o emocional humano perante todo esse caos, de uma outra maneira. 

O longa é uma adaptação do livro (com o mesmo nome) do escritor francês, Martin Page, e acompanha um músico francês, Sam (Anders Danielsen Lie), que ao beber na festa que estava acontecendo no apartamento de sua ex-namorada (Sigrid Bouaziz), acaba dormindo em um dos quartos do local e ao despertar no outro dia, percebe que os moradores de Paris se tornaram mortos-vivos. 
 
A direção, que marca a estreia de Dominique Rocher e o roteiro são ótimos, fica explicito, logo no seu primeiro ato que o filme não será apenas mais um que aborda a temática dos zumbis. Orquestrado por Rocher de forma impecável, percebesse que o longa se trata de um drama, quando é apresentada a maneira com que ele, Sam, vai tentar sobreviver e suas formas de lazer/distração no meio de todo esse caos. E o roteiro, que contêm a monotonia usada de uma forma engenhosa e proposital, é uma ferramenta para fazer o espectador sentir o que o protagonista sente e, além do mais, o mesmo, tem um plot twist no último ato que é totalmente surpreendente. 

Diferente da grande maioria, o filme não foca totalmente nos zumbis e na sua fome insaciável, os mortos-vivos são usados como instrumentos de reflexão para temas, como, solidão, isolamento, medo, etc, e, podem surpreender aqueles que estão esperando por algo parecido com um episódio de The Walking Dead, um longa igual Zumbilândia (2010) ou Extermínio (2002), podendo fazer algumas pessoas se cansarem durante a sessão devido a seu jeito parado e sem muita ação, que é o que ocorre em quase todo o filme. 

A atuação de Anders Danielsen Lie, é simplesmente sensacional, o filme todo gira em torno dele, então, acompanhamos o personagem dele passando por diversas situações, como, se distraindo com alguns objetos da casa, fazendo música com os mesmos. Chama a atenção o modo com que o ator interpreta de maneira formidável, a degradação de seu personagem, que, aparentemente, tinha características antissociais até que no decorrer do longa, começa a sofre com a falta de contato com outras pessoas, tendo até conversas "reflexivas" com Alfred (Denis Lavant), um zumbi que está preso em um elevador. 

Aqueles que pretender ir ao cinema para "apenas" conferir mais um filme qualquer de zumbis, vão se decepcionar completamente. A Noite Devorou o Mundo não é um filme que agradará a todos, mas certamente, é uma obra que vale a pena ser conferida por aqueles que querem ver um filme mais dramático e melancólico e que quebra genericidade dos filmes com os mortos-vivos.




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