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Crítica | Tio Drew


Em 2012 a Pepsi resolveu lançar um comercial em que o jogador de basquete Kyrie Irving, do Cleveland Cavaliers, passava por uma transformação para se tornar um senhor idoso e que iria acompanhar seu sobrinho em uma partida de basquete. Passado algum tempo ele entra no lugar de um jogador que se machucou e acaba por surpreender a todos que estavam subestimando aquele senhor de meia idade. A propaganda fez tanto sucesso que acabou virando filme com o nome de Tio Drew.

A produção se inicia com o mesmo Kyrie Irving interpretando o mesmo tio Drew do comercial e a diferença é que no longa ele é um ex-jogador de basquete famoso em sua época e não um homem que é maquiado para surpreender a todos. Drew irá ajudar Dax (Lil Rel Howery) um treinador que precisa de uma equipe para conquistar o torneio local. Para isso, viajam a fim de reunir o antigo time de basquete de Drew. 

Tio Drew é uma comédia surpreendente por conseguir fazer rir sem precisar forçar nas piadas, sem conotação sexual ou inserção de situações escatológicas para precisar fazer rir. O humor é suave e vai acontecendo com o passar da história. As sacadas dos personagens são inteligentes e as situações, apesar do clichê, dão uma dinâmica interessante para a produção.

Humor inteligente é difícil hoje em dia, em que tudo é mastigado e jogado sem ser trabalhado. Tio Drew tenta manter a narrativa sempre no tom certo, mantendo sempre a motivação tanto do treinador do time de basquete em vencer seu antigo rival, desde a época de escola, e de Drew, em demonstrar que mesmo tendo uma idade avançada consegue, sim, jogar de igual para igual com os garotões da nova geração.

Essa é a principal mensagem do filme, mesmo escondida ela está lá para nos dizer que o basquete é um esporte feito não apenas pelo povo, mas também um esporte relacionado a paixão de se jogar. A partir do momento que a ganância, vaidade e vontade de ganhar dinheiro é maior que a de se jogar por amor é que acaba por vir o declínio. Drew e seus companheiros amam o esporte e não se deixam levar pelo dinheiro e sim pela vontade de vencer. Seria uma espécie de crítica ao basquete atual em que os jogadores pensam mais em se tornar pops stars da cultura pop que apenas jogadores de basquete. 

Uma boa equipe de basquete precisa dos melhores jogadores e a escolha para interpretar a equipe de Tio Drew não poderia ser melhor. A Kyrie Irving se juntam Shaquille O'Neal (Big Fella), Chris Webber (Preacher), Reggie Miller (Lights), Nate Robinson (Boots) e Lisa Leslie (Betty Lou). É um timaço de atletas que segura o filme com muita facilidade, pois são rostos conhecidos do público e fazem a trama girar com o drama pessoal de cada um. Mas isso também mostra uma fraqueza do roteiro, que por se segurar apenas nos jogadores acaba por deixar um pouco a história central de lado. 

Para não dizer que todos os jogadores são extremamente caricatos. Há de tudo na equipe: o homem bravo, o sensato, o calado, o engraçado tudo que já acompanhamos em diversas outras produções do gênero, como ocorreu no longa "A Escolha Perfeita", por exemplo. É algo que funciona como uma saída para fazer o público se segurar nesses personagens e não reparar nos buracos que a narrativa tem. 

Tais buracos aparecem no decorrer da trama. Desde o momento em que Drew aparece, até a reunião dos jogadores idosos, há uma queda vertiginosa em relação à narrativa que só melhora quando passamos a conhecer melhor os novos integrantes. O diretor Charles Stone consegue transformar uma ideia simples em uma comédia simpática e sem se perder em diálogos desnecessários ou cenas sem sentido. Provavelmente deve ganhar uma continuação em um futuro próximo.




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