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Resenha | Poeira Lunar


Em 1961, Arthur C. Clarke lançava “A Fall Of Moondust”, relançado agora em 2018 — ano em que se completam dez anos do falecimento do escritor e mestre da ficção científica — pela editora Aleph, com o título de “Poeira Lunar”.

Eu já conhecia a promessa do livro, porque sci-fi corre em minhas veias desde minha adolescência, porém nunca havia lido a obra — ainda que lançada aqui em 1984 pela Nova Fronteira —, e sempre fiquei intrigado com a ideia astronáutica de Clarke, para a narrativa: de que a superfície lunar era composta por uma espessa camada de poeira e, em determinados pontos, em suas crateras, profunda o suficiente para podermos considerar como lagos e mares de poeira. 

Sobre lagos e mares da lua, nada melhor do que uma embarcação espacial para navegar por essas superfícies. Para isso temos a Selene, uma nave que cumpre esse papel — onde podemos fazer um trocadilho, porque esse é o peso exercido pela embarcação, afinal ela está navegando sobre poeira! 

Mas como assim, poeira? Sim, enquanto Clarke escrevia “Poeira Lunar”, a primeira viagem do homem à lua ainda não havia ocorrido, então essa era a ideia do autor, em meio a tantas outras, de tantos outros grandiosos nomes. E que, se pararmos para pensar, é muito válida ao observarmos as fotos da lua, daquela época! Além disso, toda a física aplicada no contexto da teoria, torna tudo muito mais crível e extremamente admissível, mesmo agora em 2018. 

Então temos a Selene que viaja por essas águas feitas de poeira metálica lunar, fazendo expedições turísticas, em meio ao cenário de colonização da lua, onde o homem já construiu bases que recebem visitantes da Terra para um passeio pelo nosso amado satélite. Tudo visando o poder monetário envolvido pelas possíveis atrações do “passeio” — obviamente. 

Acontece que se há algo em Arthur que aumenta meu amor por ele, é que ele faz questão de mostrar como o Universo deve ser respeitado em seus enigmas e infinitos, e que muitos deles não cabem aos homens decifrar, através de nossos limitados cérebros, tão menos estão em favor do dinheiro e da ganância humana. Por isso, um tremor lunar — podemos chamar de lunemoto? Hahaha, gosto desse nome — faz com que Selene naufrague e afunde na poeira, sem deixar rastros na superfície, como se engolida como qualquer objeto afundado em um pote de farinha de trigo. 
A partir desse naufrágio, começa todo o núcleo da história, onde a tripulação precisa enfrentar uma jornada de sobrevivência, enquanto o pessoal lá de fora, tenta encontrar a nave, para um possível resgate. 

O livro não traz nada grandioso, quando comparamos com outras histórias sobre sobrevivência e resgate de desastres, mas “Poeira Lunar” tem todo um envolvimento de física, química e o ambiente sci-fi que acrescentam um clima muito mais incrível à narrativa, fazendo com que todo amante desse gênero se delicie com cada página do livro. Sério, eu li cada capítulo com um brilho extra nos olhos e com um coração mais aquecido a cada página virada. 

Tudo muito bem amarrado e dentro do universo — na verdade, fora, hahaha — que precisa estar para fazer sentido. 
Arthur Clarke sabia o que estava fazendo enquanto escrevia sobre seu próprio universo criado, mesmo sem conhecer realmente como era a lua, e o fez com grande maestria, em mais esse título que entra para a coleção lançada com muito carinho pela editora Aleph — e que nós só temos a agradecer!

Título: Poeira Lunar
AutorArthur C. Clarke
EditoraAleph

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