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Crítica | Megatubarão


Desde que Tubarão (Steven Spielberg) estreou e arrebatou multidões para os cinemas - fazendo dele o primeiro filme blockbuster da história - várias outras produções seguiram seu caminho e tentaram ser o novo tubarão. Muitas dessas produções foram ao pé da letra usando o próprio animal como antagonista de suas histórias e outras tentaram recriar a atmosfera de medo e tensão deixada pelo original. Depois de muitos longas ruins e regulares, eis que surge Megatubarão!

The Meg (título original) se apresenta desde o início como um filme feito não para chocar ou dar medo, mas para impressionar e divertir quem o assiste. A trama gira em torno da descoberta de uma camada submersa do que os cientistas imaginavam ser o fim do oceano, mas descobrem que além daquela névoa gélida há outro mundo desconhecido há mais de 11 mil km de profundidade. Então surge o Megalodon pré-histórico e somente Jason Stathan e sua equipe poderão enfrentá-lo.

Se pensar bem é uma história bastante batida do monstro antigo que vive submerso e alguém acaba por despertar sua ira. Já aconteceu em muitas produções e quase sempre fica difícil de evitar o clichê ou a obviedade. Questões que Megatubarão conseguiu passar por cima ao inserir o Megalodon de forma inteligente, mostrando logo na primeira cena do que ele é capaz e depois vai aumentando o tom com que o monstrão ataca e assim vai criando mais e mais expectativa. Há sim clichês, mas eles são permitidos já que não precisam deles para sustentar a trama. 


Há múltiplas tentativas de dar sustos com cortes rápidos de câmera sempre com Meg aparecendo de surpresa e essas são as partes que geram mais tensão. Filmes em oceanos – se bem feitos – quase sempre dão certos, pois o mar é um ambiente vasto, inexplorado e com inúmeros seres submersos desconhecidos. É de se imaginar que existe algo muito além do abismo com o que temer e é essa idéia que leva a assustar que o assiste.

O Megalodon em si não dá medo até porque ele já é apresentado como um ser tão poderoso quanto o Kraken de Piratas do Caribe 2, fora o fato de ter aparecido tanto em trailers e comerciais que todos já sabem quem ele é. Já é de se imaginar que o tubarão irá vencer e matar todos que aparecem pelo seu caminho, mas mesmo assim você se surpreende, pois, a trama foi bem construída, ainda mais quando começam a caçá-lo pelo mar. 

Não é um longa que dê medo ou muito violento, todo sangue que há nele tem um motivo e o medo perde espaço por já termos idéia do que irá acontecer. Como dito anteriormente a idéia é divertir e causar tensão o máximo possível. Um tubarão gigante no oceano caçando pessoas é algo realmente assustador, ainda mais quando não se sabe de onde ele vem. Claro que quando se diz divertir não é dar a impressão de que é uma comédia. Mas sim o de inserir o espectador na aventura que os mergulhadores estão enfrentando, diversão no sentido de se aventurar com eles. 


Há um alívio cômico que desde o início dá o tom de como seria o estilo da narrativa. Boas tiradas dos personagens, piadas bem-feitas e situações que de tão desesperadoras ficam engraçadas, como a cena da praia ou as cenas em que Jason Statham aparece fazendo graça.

Não importa em qual produção que Jason Statham faça ele vai se sair bem no papel! Em Velozes e Furiosos deu uma nova dinâmica para uma franquia que vinha perdendo o fôlego e em A Espiã Que Sabia de Menos fez uma improvável e engraçada dupla com Melissa McCarthy. O principal fator para se dar tão bem em tantos papéis diferentes está em seu carisma e em seu estilo valentão.

Uma curiosidade quanto ao filme é que ele foi adaptado de um livro lançado em 1997 por Steve Alten intitulado Meg: A Novel of Deep Terror. Desde que foi publicado houve muitas tentativas para que fosse filmado até que começou a sair do papel em 2016.

A criação dessa atmosfera de tensão tem um nome e ele é Jon Turteltaub, um diretor com uma vasta cinematografia e que soube passar o que todos queriam ver que era o tubarão em ação e a luta pela sobrevivência dos protagonistas. Jon concebeu um dos melhores filmes de tubarão já feitos sem precisar forçar ou fazer nada tosco que transformasse a trama em algo besta ou banal. 




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