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Crítica | Mentes Sombrias


Desde que a franquia Jogos Vorazes foi levada aos cinemas (2012) e obteve enorme sucesso de bilheteria e crítica o número de produções sobre distopias (um mundo futurista com um estado opressor no comando) vem crescendo. Alguns desses longas são fracos e praticamente fracassaram nos cinemas, casos de Instrumentos Mortais e da saga Insurgente/Convergente. 

Surge nesse cenário o filme Mentes Sombrias como outra daquelas produções que não acrescentam em nada ao que já se tem por aí e o pior de tudo é que consegue ser inferior a quase todos. O filme é uma adaptação da série de livros escrita por Alexandra Bracken e dependendo de como for de bilheteria pode ganhar futuras sequências. 

Os erros sucessivos começam com o jeito pelo qual a história é contada, de forma arrastada, além de ser chata e óbvia, com vilões superficiais e furos de roteiros, tornando-se um produto ruim de assistir. 

Na trama, uma pandemia mata 90% dos jovens pelo mundo. Os sobreviventes são levados para campos de trabalho onde são usados pelo governo como mão de obra barata. Os jovens são divididos em cinco grupos: os vermelhos, laranjas, azuis, verdes e amarelos. Cada um tem um dom, sendo que os vermelhos e laranjas são os mais perigosos. 

créditos: Fox Film do Brasil
Eis que somos apresentados a uma garota laranja que foge do local onde estava presa e passa a ser caçada por dois grupos distintos. Na fuga encontra um grupo de jovens e juntos passam a fugir dos perigos que encontram. 

O foco em uma produção desse tipo está no grupo de adolescentes que se juntam para fugir, só que os quatro personagens não têm carisma algum para segurar a trama, são chatos, fracos no sentido de não acrescentarem nada de interessante ou relevante, além de fazer com que o espectador não se identifique com nenhum deles. As atuações também deixam a desejar Ruby Daly (Amandla Stenberg) e Liam (Harris Dickinson) protagonizam um romance improvável e mal construído, para não dizer ridículo. Os dois não convencem como dupla apaixonada. 

Difícil assistir a Mentes Sombrias sem se lembrar dos X-Men, mas a comparação para por aí, pois a semelhança fica apenas nos poderes parecidos. No quesito de qualidade, Mentes Sombrias fica mais perto dos personagens da novela Os Mutantes da TV Record. Os efeitos especiais dos poderes são bem feitos e talvez seja uma das poucas coisas interessantes no filme.

créditos: Fox Film do Brasil
Há muitas mudanças em relação ao livro que só demonstram que houve uma falha ao adaptá-lo. A cena em que a garota vai para a casa dos pais e sai chorando de lá é sem sentido e absurda, já no livro não acontece nada disso. Uma cena jogada pela diretora Jennifer Yuh Nelson (Kung Fu Panda 3) apenas para emocionar ou tentar criar laços dos personagens com quem assiste. Não é a única cena jogada, há muitas outras que chegam a ser constrangedoras de tão mal usadas. 

Para piorar a ação não funciona, nem quando os efeitos especiais aparecem. Além disso, o alívio cômico que poderia salvar algumas situações é mal inserido devido à falta de carisma dos personagens.

Jennifer Yuh Nelson tinha uma boa trama em mãos, era só adaptar mantendo a essência do livro e tentar conquistar o espectador com personagens fortes e interessantes, mas ela não conseguiu estruturar o principal que era a motivação do grupo de protagonistas e seus desafios nada perigosos. É um filme vazio que pode ter terminado com uma franquia que mal começou sua vida nos cinemas.






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