Swift

Crítica | Slender Man: O Pesadelo Sem Rosto


A busca pelo sobrenatural é algo que gera curiosidade no ser humano. Tentar compreender algo inexplicável e provar sua existência/inexistência é algo que presenciamos constantemente, dividindo as pessoas em: céticas ou crentes. Slender Man foi criado dentro deste círculo vicioso, incidindo no imaginário coletivo e criando uma lenda urbana de proporções inimagináveis.

Considerado "o primeiro grande mito da internet" - parafraseando nosso amigo Wikipedia - o personagem criado por Eric Knudsen - cujo nome verdadeiro é Victor Surge - em 2009, no fórum de discussão intitulado Something Awful, surgiu do desejo de ganhar um concurso de edição de imagens assustadoras. Quem diria que uma montagem e alguns relatos forjados, que comprovavam a existência da criatura fossem simplesmente botar em pânico a internet.

foto-montagem de Victor Surge
Nove anos depois, não é estranho que este tenha ganhado jogos de videogame, documentário e agora um filme. Slender Man: O Pesadelo sem Rosto estreia dia 23 de agosto nos cinemas e conta a história de um grupo de amigas que participa de um ritual numa tentativa de desmistificar sua lenda. Contudo, quando uma delas desparece misteriosamente, o grupo começa a suspeitar que são suas novas vítimas.

Descrito como um ser muito alto, magro, com braços anormalmente longos, uma cabeça branca, sem rosto e cabelo, trajando um terno, a figura funciona como um parasita mexendo com o psicológico e causando alucinações até o ponto de levar suas "presas" a completa loucura ou capturá-la.

Utilizando seu background original como a premissa da narrativa, tudo se inicia quando o grupo vê o vídeo de sua invocação - o que lembra muito O Chamado - dando início a uma série de manifestações que vão de sonhos até aparições. Inicialmente, a produção brinca com o que é realidade ou não, pondo em dúvida se estás são manifestações psíquicas diante de um trauma sofrido pelo grupo diante do desaparecimento da amiga ou se estas estão verdadeiramente condenadas. Dessa maneira, seguindo uma veia voltada para o horror psicológico o filme até consegue prender atenção.

créditos: Sony Pictures
No entanto, ao longo da projeção, parece que há um constante conflito entre qual caminho este quer seguir, pois algo que era tão misterioso acaba se tornando explicativo demais. O roteiro de David Birke muda bruscamente foco e investe em longas explicações sobre a criatura, o que acaba cansando muito quem assiste. Outro fator, é que este insere pequenos conflitos e informações relacionadas ao quarteto de protagonistas contudo  estes são deixados de lado ao longo do filme. Jogando informações e não dando uma conclusão a elas, buscando fechamentos rápidos e que não causam nenhum impacto, a narrativa é prejudicada, culminando em um final que deixa a desejar.

O quarteto de protagonistas formado por Joey King, Julia Goldani Telles, Jaz Sinclair,  e Annalise Basso não é ruim. As atrizes possuem química, mas diante de um roteiro confuso, que não se atentou ao desenvolvimento dos seus personagens, apenas King e Telles acabam ganhando um verdadeiro destaque, enquanto Sinclair e Basso somem que nem suas respectivas personagens.

O mesmo pode se dizer da direção maçante de Sylvain White. Apesar de ter uma câmera em constante movimento há uma certa falta de criatividade nos planos utilizados. Em muitos momentos pensei que estivesse assistindo um novo Bruxa de Blair, diante da semelhança de alguns takes. Sem dizer que White não sabe construir tensão.

Infelizmente Slender Man: O Pesadelo Sem Rosto nos cinemas não produziu o efeito esperado. Cheio de falhas, o filme que prometia ser aterrorizante não faz jus a sua fama. Se na web esse provoca pavor, nos cinemas ele é apenas um meme sem graça que você recebe no grupo de whatsapp da família. 



LEIA TAMBÉM