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Crítica | Buscando... um suspense interativo que dá certo


A tecnologia faz parte da nossa vida. Isso é um fato. Utilizamos esse complexo sistema para conversar, descobrir a melhor rota para determinado lugar ou até mesmo encontrar uma pessoa interessante e quem sabe dar match. Então porque não usar tais recursos para contar uma história? Bem, é exatamente isso que Buscando... faz, e muito bem, por sinal.

O filme que estreia dia 20 de setembro aqui no Brasil utiliza a tecnologia para narrar a história de David Kim (John Cho) e a procurar por sua filha Margot (Michele La) que  desapareceu sem deixar rastros. Desesperado, e com a ajuda da detetive Rosemary Vick (Debra Messing), é por meio do laptop de Margot que este poderá encontrar pistas e algumas verdades sobre sua filha.

Honestamente, é uma trama bastante explorada no cinema. Pai que se encontra em um relacionamento meio distante com sua filha - diante de uma perda pessoal sofrida por ambos - e que parte em uma busca alucinada por seu paradeiro. Para muitos esse seria um alerta de um possível malware, mas antes que você queira jogar essa produção em sua lixeira eletrônica, deixa eu te contar uma coisa: o poder de Buscando... está em sua narrativa.


Utilizando recursos como telas de computadores, celulares, câmeras de segurança, videoconferências, noticiários, vlogs e outros meios de comunicação, a produção se beneficia da interatividade que a tecnologia proporciona para contar a história - algo já tentado em alguns filmes como, por exemplo, Amizade Desfeita - mas que aqui é feito de modo magistral. 

O diretor Aneesh Chaganty consegue criar um suspense de prato cheio através de planos bem fechados, close-ups e cortes rápidos. As diversas telas pela qual David é transmitido dão ao espectador a sensação que este se encontra vendo um streaming ao vivo de uma tragédia, tornando este parte inclusiva da narrativa na busca por Margot. A Sony Pictures Brasil ajudou ainda nessa imersão com todo o minucioso trabalho de tradução realizado em cada tela.

Chaganty envolve o espectador e o faz participar desta jornada. Sensação está otimizada pelo roteiro de Sev Ohanian - que sabe ter uma história batida - mas usa isso ao seu favor criando boas reviravoltas, foreshadowingfiguras de linguagem para surpreender quem assiste, fazendo com que o espectador não chegue tão rápido a uma conclusão.


Por fim, mas não menos importante: John Cho. Além do fato de termos um protagonista e um elenco majoritariamente asiático - o que já é um grande ponto positivo diante da questão de representatividade em Hollywood - o ator é brilhante em tela e consegue transmitir todo seu desespero através de um simples olhar ou frustração diante de uma mensagem não enviada. É um trabalho orgânico, sendo mais um acerto da produção.

Acho que essa é a melhor definição para Buscando... uma sucessão de acertos que fará vocês ativarem suas notificações/alertas de seus aparelhos eletrônicos para enfim descobrir onde está Margot.




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