Swift

Crítica | A Freira



Quando Invocação do Mal estreou em 2013 poucos acreditavam que se tornaria uma das maiores franquias de terror no cinema. Levando para as telonas até mesmo personagens sobrenaturais secundários que apareceram em seus filmes. Agora é a vez de Valak ter seu destaque neste universo compartilhado e protagonizar seu próprio filme, A Freira.

O personagem surpreendeu por ter causado calafrios em Invocação do Mal 2 e tudo levava a crer que seu filme derivado seria tão assustador quanto sua participação na produção. Mas isso não aconteceu, porque tão logo que o filme termina vem à decepção pela alta expectativa colocada em um vilão tão interessante.

Valak é um ótimo personagem e tudo levava a crer que seria ótimo vê-lo em ação. Só que tudo apresentado na produção foi feito de forma que destrói os elementos básicos do terror e que foram muito bem trabalhados em Invocação do Mal, como o medo, o susto e o próprio vilão.

A própria aparência deste, como dito, dá medo por si só, mas só isso não ajuda a criar os sustos, porque de tanto a produção o esconder acaba por se tornar óbvio. É natural que o susto virá de algum lugar, mas em A Freira ele se torna tão óbvio que vira um festival de clichê. Perto do final, quando o confronto está estabelecido e Valak aparece de vez lembra apenas uma caricatura do que deveria ser, pois a figura aterrorizante que existe ao redor de seu protagonista não é bem trabalhada no filme.


Todo o problema da construção do personagem espelha a péssima tentativa na criação de uma atmosfera de terror e suspense, que em alguns momentos dá certo, mas em outras nem tanto. Internamente, na abadia, não há um tratamento bem feito quanto à tensão, ela não existe, e quando há uma tentativa em estabelecer essa tensão ela se perde pelo motivo do diretor cortar a ação bruscamente e indo direto para outra cena, repetidamente tirando o foco do suspense que ali ocorria. Um plano sequência ajudaria a dar essa urgência, algo que dificilmente acontece.

As cenas que se passam no exterior, que têm os túmulos e os sinos como destaques realmente fazem do cenário algo assustador e a cena rodada nessa área foi bem feita, só que pouco utilizada, já que o foco central está nos acontecimentos dentro da abadia.

Mas o que atrapalhou de fato o filme foi o humor banal empregado em muitas cenas criando diálogos e sacadas desnecessárias. Em alguns momentos deixa de se imaginar que está assistindo a um filme de terror por causa do humor feito pelo personagem Frenchie (Jonas Bloquet). O alívio cômico, geralmente é empregado para quebrar uma tensão ou acrescentar algo e se bem inserido não atrapalha em nada. O problema é sempre usar esse humor para cenas que não necessitavam dele. A Freira por ser um filme de terror não precisava disso. Esse tom engraçado faz quebrar qualquer suspense e voltar estabelecê-lo é difícil.


Franchie é um péssimo personagem, a todo instante o diretor tem a chance de tirá-lo da história e assim fazer uma trama mais interessante, mas não, sempre faz com que ele reapareça e volte a fazer suas gracinhas, dando em certos momentos um tom trash a produção. Já Taissa Farmiga (Irmã Irene) está ótima em sua personagem, pois é uma moça inocente e de bom coração e Taissa a interpreta muito bem. Já o personagem de Demiàn Bichir (Padre Burke) poderia ter sido mais explorado e desenvolvido. Há uma tentativa, fazendo-o confrontar um demônio do passado, mas isso se torna algo bizarro em cena e chega até a tirar sorrisos de tão tosco que fica.

Um elogio a ser feito é a ótima direção de arte, que provavelmente foi uma das únicas coisas que assustaram, junto com um figurino que tenta passar um ar de macabro com as freiras. A trama se passa na Romênia, um país de mitos e lendas, um local propício para o aparecimento de uma nova lenda e esse também foi um acerto, só faltaram explorar mais esse aspecto regional.

O maior culpado pela tragédia que se tornou A Freira é do diretor Corin Hardy (A Maldição da Floresta), um diretor com potencial, mas que não soube utilizar a atmosfera de suspense e terror criado pela franquia Invocação do Mal  para seu filme. Algumas situações poderiam ter sido mais exploradas como o das freiras diabólicas, que só no final ganham destaque e outros poderiam ter sido facilmente retirados, como o humor exagerado já mencionado. A Freira não é um filme ruim ao todo, só errou em seu tom, pois não sabia que tipo de terror queria realizar.




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