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Review | Pose (1ª temporada)


Ryan Murphy se tornou conhecido ao dirigir uma das maiores séries de TV de terror da atualidade, American Horror Story, que logo se tornou uma franquia bastante rentável e recebeu muitas críticas tanto da mídia quanto do público. Mas fazer terror não é sua única especialidade e isso fica claro no primeiro episódio de Pose (transmitida pelo canal Fox no Brasil), série criada por Ryan Murphy, Steven Canals e Brad Falchuk. A trama conta como surgiram as culturas do luxo na decadente Nova York, na década de 80 de Donald Trump, como era o cenário social da época e ainda nos apresenta a Ball Culture

A Ball Culture é uma competição do cenário LBGT americano, em que grupos se apresentam em bailes, quase sempre composto por Drag Queens, e as disputas consistem em vencer ou o grupo rival ou um adversário em particular. Há uma modalidade que logo no primeiro episódio aparece com destaque que é o voguing, dança performática que se tornou bem popular no cenário. 

Todo essa construção é belamente apresentada e desenvolvida por Ryan Murphy, que nos mostra o preconceito sofrido pela comunidade LGBT pelo ponto de vista um garoto expulso de casa pelos pais por acreditarem que ele estava envergonhando a família. Essas pessoas marginalizadas pela sociedade quase sempre ficam sem moradia e precisam viver nas ruas ou de favores.


Esse fato mostrado na série é corroborado no fantástico documentário Paris is Burning de 1990 dirigido por Jennie Livingston. Ao assistir a esse documentário se percebe que Ryan e sua equipe fizeram um trabalho surpreendente de reconstrução de época e de caracterização de personagens e figurinos que daria inveja a muitos filmes de Hollywood. 

É uma série fascinante e que foge bastante do que temos presenciado quanto a qualidade de outras produções que estão presentes na TV ou no Streaming. O ótimo elenco reunido ajuda a dar mais carisma para uma série que tem um tom pesado. Entre os nomes que aparecem no elenco estão MJ Rodriguez (Luke Cage) como uma mulher que sonha ter sua própria casa e sonha vencer a tradicional casa Abundance em um duelo, Evan Peters (American Horror Story) também está ótimo interpretando um homem de negócios que trabalha para Donald Trump. 

Visualmente impecável, não apenas a direção de arte, mas também pelo figurino exuberante. Os trajes utilizados pelas personagens  são tão lindos que fica fácil imaginar como realmente era a época. O fato apresentado logo de cara com elas roubando roupas de um Museu era algo que realmente acontecia, pois o único intuito era desfilar com as melhores roupas possíveis. 


A trilha sonora é outro ponto positivo, conta com grandes nomes da música como Tina Turner, Tears For Fears, Robert Planta e muitos outros. Não adianta ter uma trilha sonora maravilhosa se ela não for bem utilizada e Ryan Murphy a usa com maestria. Em quase todas as cenas elas ajudam a dar uma vibração a mais para o que está acontecendo e criam uma atmosfera musical sensacional. 

É uma série importantíssima por retratar uma época que passou, mas que se mantém bastante atual nos dias de hoje. O Trump mostrado logo no primeiro episódio é apenas um personagem que compõe todo o jogo que é feito até os dias de hoje. O que Ryan quer passar é que os mesmos grupos que eram predominantes naquela época se mantêm hoje e os que eram marginalizados também, porém com o tempo e com muita luta esse cenário pode sim ser alterado.



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