Swift

Crítica | Nasce Uma Estrela


Uma canção consegue transmitir poderosos significados. Ela pode ser responsável por emitir os sons dos nossos mais complexos sentimentos através de uma simples melodia. Usufruindo-se desse poder de conexão, e o utilizando como fio condutor de sua trama, Nasce Uma Estrela, conta uma história de amor já conhecida por muitos, mas nem por isto, menos emocionante.

Utilizando a mais tenra dessas melodias, essa história é retratada pela quarta vez no cinemas - anteriormente protagonizado por Janet Gaynor (1937), Judy Garland (1954) e, por fim, Barbra Streisand (1977) -, agora é a vez de Lady Gaga e Bradley  Cooper assumirem a versão contemporânea deste enredo e 'cantar' toda a vulnerabilidade de seus personagens.

Na trama, Ally (Gaga) é uma garçonete que já desistiu do seu sonho de se tornar uma cantora de sucesso, e hoje se contenta com pequenas apresentações em bar até cruzar caminho com Jackson Maine (Cooper). Diferente dela, Jack é um famoso cantor country e com uma carreira consagrada, mas que se encontra exausto da vida nos holofotes e de sua própria música. 

Ao descobrir Ally, ele não apenas se apaixona pela pessoa, mas pela artista que existe nela, e a convence a mudar de ideia, para que assim siga seu sonho. Ao longo dessa jornada pela consagração da fama de Ally, não apenas uma relação amorosa é construída entre seus protagonistas, como também, a desconstrução de suas barreiras.

créditos: Warner Bros Pictures
O roteiro de Eric Roth, Will Fetters e do próprio Bradley Cooper - que além de atuar e escrever também assume a direção do longa -, mostra que mesmo com seus clichês, a trama de Nasce Uma Estrela ainda pode ser uma grande história quando reescrita com tamanha sensibilidade. Mesmo possuindo lapsos temporais um pouco confusos e a má utilização de certos personagens secundários na trama, que entram e saem devido a certas conveniências do roteiro - como por exemplo, Anthony Ramos e Dave Chapelle -, tais detalhes não tiram o poder de sua narrativa.

Acho que essa é a palavra que pode resumir todo esse projeto: emoção. Que se encontra presente em cada setor - mas nunca de maneira exacerbada -, podendo vê-la não apenas em seu roteiro, como também, na direção de Bradley Cooper, que consegue trazer em tela todo o turbilhão de emoções vivido pelos protagonistas conforme vemos a ascensão de Ally à fama, em contraponto, a ruína de Jack diante da luta contra seus vícios e demônios. 

O mesmo pode se dizer da fotografia que Mathew Libatique que usa cores e luzes em abundância para dar um ar estiloso e em certos momentos lúdico a produção. Ou da belíssima trilha sonora que conversa com cada cena e vira uma extensão da fala  de seus protagonistas quando as cantam, transmitindo cada anseio, frustração e medo. Aliás por falar em experiência sensorial, todas as músicas foram gravadas ao vivo enquanto eram filmadas, o que dá uma imersão fantástica ao espectador
 créditos: Warner Bros Pictures
E por último, e talvez o mais importante, a relação entre seus protagonistas. Gaga e Cooper em cena são uma força avassaladora, além da química, a relação entre ambos é tão natural que você simplesmente embarca nessa jornada. Bradley traz a melhor atuação de sua carreira, enquanto Gaga dá conta do recado e faz um trabalho competente como protagonista. 

Não será surpresa nenhuma caso ambos sejam cotados para o Oscar, na verdade é mais do que merecido. Ambos simplesmente expõe uma fragilidade em tela que comove e que demonstra o quão humano são os personagens retratados, sendo tão correlacionável, que é difícil não se conectar com eles. 

Acho que essa é a maior lição de Nasce Uma Estrela, não apenas retratar uma história sobre a jornada e consequências da fama, mas em ter a sensibilidade em mostrar como a música foi, de certo modo, a salvação nas vidas de Ally e Jackson

O filme estreia dia 11 de outubro nos cinemas.




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