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Crítica | Podres de Ricos


Podres de Ricos estreou este mês nos cinemas e foi considerado por muito a comédia romântica do ano. Trazendo um elenco 100% asiático, o filme segue os clichês do gênero, mas é através da representativa e quebra de esteriótipos que a produção se torna algo especial.

Como todos já sabem Hollywood nunca foi muito boa quando a questão é representatividade. Sob diversas acusações de whitewashing, a industria sempre pensou que atores brancos em papéis de destaque poderiam gerar um interesse maior do público. Alias, um estudo conduzido pela USC Annenberg School for Communication and Journalism mostra esta incrível discrepância: de 700 produções lançadas entre os anos de 2007 e 2014 apenas 5,3% possuíam personagens - na grande maioria dentro do estereótipo criado - asiáticos.

créditos: Warner Bros. Pictures
Contudo, Podres de Ricos é um filme que desmistifica tais arquétipos e mostra que pode ser sim um grande sucesso. Possuindo um orçamento de US$ 30 milhões e tendo faturado US$230 milhões ao redor do mundo; a produção baseada no livro homônimo de Kevin Kwan, conta o romance de Rachel (Constance Wu) e Nick (Henry Golding). Ela uma professora universitária e ele um jovem empresário, ambos vivem um amor recheado de momentos água com açúcar. Contudo, quando Nick convida a namorada para o casamento do seu melhor amigo em Singapura, Rachel acaba descobrindo que seu amado faz parte de uma das famílias mais ricas da Ásia.

Sendo jogada em um mundo completamente oposto do seu, a protagonista fica a frente de inúmeros impasses, regras de etiqueta, pequenos prazeres da vida e da matriarca da família, que por sinal não é nada receptiva (vivida pela esplendida Michelle Yeon). Dentro dessa narrativa, é que encontramos o verdadeiro acerto do longa, ao trazer personagens carismáticos com os quais o público se identifica. Seja através da rejeição sofrida por Rachel que é vista como uma mulher asiática "americanizada". Ou Nick, que possui um espírito mais livre, porém tem a obrigação de assumir os negócios da família por ser o filho homem. Até mesmo, Pei Lin (Awkwafina) o destaque mais cômico da trama - e que rouba a cena - mas que não se encaixa dentro do círculo imposto por ser uma mulher fora dos padrões estéticos e sociais.

créditos: Warner Bros Pictures

Personagens reais com conflitos correlacionáveis, faz com que Podres de Ricos seja um filme delicioso de se assistir. A direção de John M. Chu ajuda o espectador a passear pelos cenários ricos e luxuosos da alta sociedade asiática, como também sabe ministrar bem as passagens de humor e drama, sem que nada fique demasiadamente exagerado.


No fim, Podres de Ricos não é um filme que traz algo novo quando o assunto é comédia romântica, usando no roteiro - como já dito - inúmeros clichês. Contudo, é a intenção da produção em si que fará você se deliciar com essa história de amor.






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