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Crítica | As Viúvas - um drama empoderador


Chicago, tempos atuais, quatro mulheres que nunca tinham se visto sofrem a perda de seus maridos simultaneamente, em razão de um assalto mal-sucedido. Mulheres que não eram envolvidas com a criminalidade das quais seus companheiros faziam parte. Contudo, débitos são eternos e este vêm assombra-las em pleno luto. 

Desesperadas e sem perspectiva financeira para pagar a dívida, Veronica (Viola Davis), Linda (Michele Rodriguez) e Alice (Elizabeth Debicki) se unem para dar um ponto final as ameaças e iniciar um novo capítulos em suas vidas. Possuindo um caderno com os detalhes do próximo assalto do falecido grupo de ladrões, essas mulheres iniciam uma jornada em busca da libertação. 

É com está introdução que Steve McQueen inicia a sua nova produção: As Viúvas. Programado para estrear dia 29 de novembro nos cinemas, o diretor subverte os subgênero dos filmes de assalto (também conhecido como heist) e entrega uma história sobre mulheres que retomam o direito de gerir suas próprias vidas após viverem relacionamentos dependentes em seus mais diversos níveis.

crédito: Fox Film Brasil
Estamos diante de um filme denso, recheado de camadas, onde o assalto  se torna um mero coadjuvante frente à um roteiro complexo que aborda não somente, de maneira magistral, o crescimento pessoal das três protagonistas frente à uma tarefa inusitada - estamos diante de pessoas que nunca realizaram um assalto - mas que se preocupa em inserir uma forte crítica social e política em sua trama ao contextualizar a situação em meio a uma disputa governamental entre os candidatos Jack Mulligan (Colin Farrell) e Jamal (Brian Tyree Henryque lutam pela governância do 18° distrito de Chicago e os benefícios decorrentes deste.

Nada é dito ou mostrado de forma despretensiosa. Diante de inúmeros arcos, longos diálogos e constantes mudanças de perspectivas, o roteiro escrito por McQueen e Gillian Flynn (sim, a autora de Garota Exemplar e Objetos Cortantes), consegue criar diversas reviravoltas e cativar o espectador, de forma que este embarque na trama nos primeiros minutos de exibição. Apesar de algumas situações não tão críveis - como a aparição da quarta integrante Belle (Cynthia Erivo) - é possível ver no final todas as pontas soltas deste quebra-cabeça se encaixarem de forma orgânica.

créditos: Fox Film Brasil
Outro ponto, é a preocupação da produção em trazer um senso de realidade a história. A direção de McQueen é fascinante. Como disse anteriormente, ela cativa o público, seja através de seus longos planos ou enquadramento inusitados. O maior exemplo disso, é a sequência em que o personagem de Colin Farrell e sua assistente discutem no carro, mas a câmera decide não focar na face dos atores e sim no bairro - tema da discussão - para que o espectador veja a disparidade social existente.

Sabendo muito bem dosar seu ritmo, As Viúvas é uma agradável surpresa. O diretor disse que seu principal objetivo era trazer uma "experiência coletiva" em que fizesse com que os espectadores "algumas horas torcessem, outras horas chorassem", e é isto que ocorre. McQueen sabe nos conduzir nesta história, lidar com nossas expectativas e trabalhar muito bem a tensão. 




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