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Crítica | Cadáver


Sim, ainda temos tempo para mais um filme de terror. Cadáver, que estreou dia 29 de novembro nos cinemas, conta a história de uma ex-policial que está tentando se recuperar de um trauma. Contudo, quando inicia um novo trabalho em um necrotério, a personagem começa a experimentar visões horripilantes e a suspeitar que o corpo possa estar possuído por uma força demoníaca implacável.

SHAY MITCHELL COMO PROTAGONISTA

Conhecida por grande parte do público teen, Shay Mitchell agora se aventura pelo gênero do horror, mas será que convence? 

Na trama, a atriz interpreta Megan Reed, uma ex-policial que tenta reestruturar sua vida após ter passado por um trauma e ter recorrido a bebida e a medicamentos para se livrar de suas tormentas. Procurando se estabelecer, é através de uma amiga que Reed começa a trabalhar em um necrotério, um trabalho um tanto mórbido para aqueles que não estão acostumados.

Confesso que nunca tive muito contato com o trabalho da atriz então tinha certa curiosidade em saber como está se apresentaria em cena, e confesso que não tive uma impressão ruim. É perceptível o esforço da atriz em trazer à tona todo o conflito emocional pela qual a Megan está passando. Tendo que interpretar uma personagem que lida com vícios e é posta ao longo da narrativa em situações de completo estresse, posso dizer que Shay Mitchell realiza um trabalho convincente e faz o espectador acreditar no jogo que o filme propõe, será que estamos diante de fatos reais ou apenas da imaginação desta?

UM CADÁVER DIABÓLICO 

Chegamos em um ponto que queria comentar, o cadáver de Hanna Grace, personagem fundamental da história. Com uma maquiagem realista, o corpo te passa uma sensação de medo e repulsa conforme a câmera foca nos restos mortais. Além disso, é importante mencionar todo o trabalho corporal realizado por Kirby Johnson (Hanna), a atriz apenas se comunica com a audiência através de suas expressões corporais e faciais - e algumas em um dialeto para lá de diabólico - contudo é por meio de sua sombra que rasteja pelos corredores e seu olhar que o filme concentra grande parte da tensão. Você  teme a força oculta que possui o corpo e que se manifesta de maneira sorrateira.

créditos: Sony Pictures Brasil

UMA TRAMA QUE SE PERDE EM SEU FINAL 

No entanto, o grande problema da produção está na construção de sua narrativa. Como disse anteriormente, o filme começa bem, ao trabalhar o terror psicológico e deixar o espectador na dúvida se aquilo tudo é real ou apenas alucinações. Outro fator positivo é a escolha de grande parte deste se passar dentro do necrotério e mesmo sendo um lugar grande acho que o diretor Diederik Van Rooijen consegue trabalhar bem a sensação de confinamento.

No entanto, é a partir da metade do segundo ato que o filme se perde e começa direcionar sua história para algo totalmente previsível - principalmente quando estamos falando do confronto final -, não dando a sensação de urgência no espectador. Além disso, a produção decide matar inúmeros personagens sem propósito nenhum, que não causam impacto na história ou em sua protagonista, pensando somente em uma forma rápida de fechar seus arcos.

Após trabalhar de forma interessante a tensão, a produção  de forma repentina acelera o ritmo e proporciona um final - ainda que passível de continuação - anticlimático.



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