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Crítica | Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald


Dois anos se passaram e finalmente o mundo mágico retornou aos cinemas com Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, para a alegria dos fãs de Harry Potter. O filme cuja a trama era um mistério - tendo apenas como base os trailers e cartazes divulgados  - estreia dia 15 de novembro, mas será que ele conseguiu sobreviver as expectativas?

É preciso dizer que a narrativa ganha um tom de amadurecimento na continuação, porém sua história não evolui tanto, uma vez em que são dispostos muitos personagens que dividem o rumo das informações e entregam mais pontas abertas do que soluções para o contexto. O filme acaba pecando em trazer personagens que poderiam ter sido grandiosos e mais explorados, mas terminam apenas servindo para encher as cenas, enquanto o foco cai massivamente apenas sobre um deles — Credence (Ezra Miller), que sobreviveu ao ataque do final do primeiro filme. Isso não é um spoiler, certo?

As divulgações do longa prometiam muito mais Grindelwald do que podemos ver nesse segundo título. O personagem de Johnny Depp não faz muita coisa, a não ser divulgar suas ideias e planejar sua ascensão para a continuação da série. E por falar em Johnny Depp, ele cumpriu o papel que lhe foi disposto, porém acaba deixando um toque de desconstrução em Grindelwald, que destoa um tanto da personalidade esperada para o antagonista.

créditos: Warner Bros Pictures
Newt, interpretado por Eddie Redmayne, continua cativando o público com sua personalidade e seu amor por suas doces criaturas - até porque qual monstro não é amado por Newt ? -. Contudo, é visível que este, em decorrência de um roteiro confuso, acaba sendo afogado diante de tantas informações do quebra-cabeça que o filme se torna. O mesmo ocorre com Albus Dumbledore (Jude Law), que rouba as cenas nos momentos em que aparece, mas acaba ficando em segundo plano. Novamente o foco recai todo sobre a história de Credence e de que como ele se torna cobiçado por todo o mundo bruxo, diante de tanto poder.

Leta (Zoë Kravitz) e Theseus (Callum Turner) são dois dos personagens que mereciam muito mais importância e destaque do que a narrativa lhes fornece e com certeza alguns fãs se decepcionarão com isso. Seus nomes acabam apenas prometendo muito e fazendo pouco, assim como toda a expectativa criada em cima de Nagini (Claudia Kim). Acho que o grande destaque é  de Queenie (Alison Sudol) que ganha mais importância na trama e tem uma virada muito interessante e que provoca curiosidade quanto ao futuro da personagem na série.

créditos: Warner Bros Pictures
Outros pontos que podem desagradar os fãs da série são alguns furos de cronologia, papéis e características de alguns personagens grandiosos do mundo de Harry Potter — e J.K. Rowling acaba falhando ao alterar coisas que não deveriam ser mexidas, apenas para tentar encaixar referências. O final do filme é o ápice desse erro, caso a última cena entre Grindewald e Credence se comprove verdadeira, mas a esperança é de que seja apenas uma jogada para confundir os espectadores e um plano maior do vilão por trás da história, para atingir seus objetivos.

De fato um ponto positivo na continuação da série é a melhoria e a qualidade dos efeitos especiais, que foram amplificados na experiência do IMAX. Outro fator, são os "Animais Fantásticos" que ganham função no segundo filme e ajudam Newt diretamente em sua aventura. Velhos conhecidos do público voltam a telona e novas criaturas também são introduzidas - pelas quais você irá se apaixonar - o que torna tudo bem divertido.

A maioria dos fãs devem sair do cinema com um saldo positivo entre os furos, já que a emoção de entrar novamente nesse mundo e as esperanças para o futuro da série persistem. No mais, o filme entrega apenas um monte de teorias que serão desvendadas e encaixadas pelas próximas três produções, que nos mata com esses intervalos gigantescos de dois anos.




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