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Crítica | Bohemian Rhapsody


Bohemian Rhapsody pode ser considerado uma grande homenagem, tanto ao Queen como aos seus fãs. Nos envolvendo pela nostalgia, a produção convida o espectador a embarcar nessa jornada musical liderada por Freddie Mercury e seus companheiros de banda. Contudo, caso você esteja em busca de uma cinebiografia, talvez o filme não sobreviva a suas expectativas.

Como disse, o longa é uma celebração ao legado do Queen, como também, a figura icônica que foi Freddie. Dando muito mais espaço ao frontman do que a pessoa, por inúmeras vezes só vemos indícios de Farrokh Bulsara - o menino de 17 anos, nascido na Tanzânia, possuidor de um excêntrico visual e que sonhava seguir uma vida oposta do esperado por seu conservado pai - e por mais que o filme ainda emocione e faça você sair do cinema com uma sensação de que assistiu uma bela homenagem, há também o sentimento de que muito pouco foi explorado.
créditos: Fox Films do Brasil
A verdade é que toda a complexidade que envolvia o gênio incompreendido que era Mercury não é analisado a fundo. Estamos diante de uma história que conta fatos conhecidos, mas que em nenhum momento se dá ao trabalho de explorar as mil faces do seu protagonista. O roteiro é claro em contar uma versão PG-13 dessa trajetória, algo muito mais polido - fato inclusive que fez Sacha Baron Cohen largar o papel de protagonista - da realidade. Um dos poucos momentos em que o filme deixa de explorar o "lado músico" do personagem são em suas cenas com Mary Austin (Lucy Boynton), o grande amor de sua a vida. Nessas horas que podemos ver o cantor por trás dos holofotes, despido de suas barreiras.

Rami Malek, por sua vez, é o grande atrativo da produção. É assustador, não somente pela semelhança física, mas todo o estudo/esforço do ator em recriar os trejeitos de Freddie. Algo perigoso que pode beirar ao caricato, mas que Malek tira de letra, trazendo uma experiência visual absurda a quem assiste. 
créditos: Fox Films do Brasil
O mesmo pode se dizer da direção, que é competente. Diante de tantos problemas que ocorreram na produção do longa - sendo um deles a saída de Bryan Singer - a volta de Dexter Fletcher na direção (este chegou a assinar contrato para dirigir o filme, mas desistiu da ideia em 2014 por se desentender com o produtor Graham King) traz bons resultados. Não estamos diante de nenhum trabalho estupendo, mas é assertivo quando estamos falando de imersão, principalmente nos momentos finais quando é recriado o show histórico da banda no Live Aid, fazendo o espectador reviver algo tão emocionante.

Bohemian Rhapsody, apesar de jogar de forma segura e não explorar as controvérsias e complexidades de seu protagonista, ainda é um filme que deve ser visto. Muito mais do que um filme, estamos diante de uma grande celebração da música, do amor e do legado de Freddie Mercury




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