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Crítica | Millenium: A Garota Na Teia de Aranha


Lisbeth Salander está de volta aos cinemas. Em Millenium: A Garota na Teia da Aranha, a hacker - agora interpretada por Claire Foy (The Crown) - protagoniza uma história recheada de ação, onde tenta impedir uma ameaça de nível mundial, ao mesmo tempo, que lida com fantasmas de seu passado.

Diante das inúmeras mudanças - tanto de elenco como de direção - é visível que a produção agora assume uma roupagem muito mais comercial do que seus antecessores. Aqui, a trama possui um foco no senso de urgência e ação, do que nos desenvolvimentos de seus personagens. Uma opção um tanto questionável, quando estamos falando de uma obra que expõe o passado de sua protagonista.

Agora, Lisbeth já é uma figura conhecida - graças às matérias escritas sobre ela - por fazer justiça com as próprias mãos à homens que abusam de mulheres. Vivendo ainda uma vida solitária, a hacker divide seu tempo entre ser uma vigilante e realizar trabalhos um tanto questionáveis. Contudo, tudo muda quando é contratada para recuperar um programa de computador chamado Firefall, que dá ao usuário acesso a um imenso arsenal bélico, que por sinal acaba caindo em mão erradas, e juntamente com a protagonista iniciamos uma corrida contra o tempo para recuperá-lo.
créditos: Sony Pictures
O problema da produção é que essa urgência não consegue ser transmitida em tela. Na direção de Feve Alvarez é visível a preocupação deste com a ação, se utilizando de corte rápidos e inúmeros takes com câmera tremida, porém o filme não consegue engatar a segunda marcha e por mais que ele tente alcançar tensão em certos momentos essa nunca se instaura por completo na trama. As construções de cenas são sempre cortadas de maneira abrupta, não conseguindo trazer a imersão necessária para quem está assistindo.

Claire Foy é muito competente como protagonista. Ela consegue trazer uma assinatura a sua Lisbeth e apesar de estar interpretando uma personagem comedida em seus sentimentos, são em pequenos momentos, através de um olhar ou expressão que vemos o turbilhão emocional que a hacker está passando. Algo feito com muita naturalidade e que mostra o talento de Foy ao dar uma certa complexidade a sua personagem, mesmo quando o roteiro do filme não tenha como o foco o desenvolvimento de sua personagem ou do seu passado em questão, já que claramente ambos são colocados em segundo plano.

No fim, Millenium: A Garota na Teia de Aranha é um filme que perde a sua principal essência: a de conectar o público com seus personagens altamente correlacionáveis. Adotando um vertente muito mais voltada para a ação, o longa deixa de dar a importância ao desenvolvimento de Lisbeth e toda a sua complexidade, para coloca-lá no meio de perseguições de moto, carros e tiroteios.




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