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Robin Hood - A Origem | Crítica


Um dos contos mais populares esta de volta aos cinemas. Robin Hood, aquele fora-da-lei que roubava da nobreza para dar aos pobres, agora na pele do ator Taron Egerton (Kingsman), o herói mítico inglês ganha uma nova adaptação. A questão é diante de ser uma figura tão conhecida dentro da cultura popular e já ter sofrido diversas adaptações - em inúmeras mídias - será que Robin Hood: A Origem consegue conquistar o público?

UM DUVIDOSO TOQUE MODERNO 

Estamos na idade média, mais ou menos no século XII, nos tempos das grandes Cruzadas, Robin Loxley (Taron Egerton) é um nobre que reside na cidade de Nottingham, vive uma vida estável e possui um grande amor cujo o nome é Marian (Eve Hewson). Contudo, o lorde é convocado para servir nas cruzadas. Quatro anos se passam, este continua lutando no campo de batalha, porém ao desobedecer as ordens de seus superiores - ao tentar impedir que um dos filhos dos prisioneiros fosse morto - este é posto em um navio de volta a Inglaterra, onde descobre que seu patrimônio foi dissipado e que sua amada não o esperou.

Tendo sido declarado morto pelo Xerife da cidade (Ben Mendelsohn), Robin descobre que Nottingham passou por inúmeras mudanças. Com ajuda de um antigo inimigo, Little John (Jamie Foxx), a dupla arquiteta um plano para acabar com o sistema opressor. De desdobrando-se em dois papéis, o de nobre e o de ladrão, é que nasce a lenda de Robin Hood.
créditos: Paris Filmes/Lionsgate
Contextualizada a trama, digo o que mais me incomodou foi a falta de coerência da produção quanto a estética do filme. O diretor Otto Bathurst demonstra uma clara influência em Guy Ritchie ao utilizar uma estética semelhante a Rei Arthur: A Lenda da Espada (2017), principalmente quando estamos falando em efeitos especiais - único dos pontos em que o filme se atenta - são inúmeras cenas de explosões, CGIm que trazem um toque moderno a história. No entanto, quando trazido para a direção de arte e figurinos a trama se perde e não sabe definir qual caminho quer seguir. O filme falha ao querer realizar uma fusão entre o antigo e atual, criando cenários e figurinos que simplesmente destoam da história narrada, o que acaba atrapalhando a experiência de quem assiste.

TARON EGERTON CUMPRE SEU PAPEL

É preciso reconhecer que Taron Egerton cumpre seu papel como protagonista. Acho que ele dá um toque brincalhão ao seu Robin e consegue cativar o público com o seu carisma e por sua presença nas cenas de ação. Além disso, o ator cresce em tela quando divide as cenas com Jamie Foxx - este último com uma atuação over the top em alguns momentos - demonstra uma grande química com Egerton e a dupla consegue convencer na evolução de inimigos para aliados e finalmente amigos.

créditos: Paris Filmes/Lionsgate
Diante de uma troca tão boa entre os dois personagens é totalmente desnecessário a  quantidade de personagens secundários que o longa fornece. Nenhum deles é muito bem desenvolvido, sendo o maior exemplo disso o personagem de Jamie Dornan (Will Scarlett), que em tese serviria como um contraponto interessante aos planos de Robin, por ser um homem mais racional com grandes convicções políticas voltadas a plebe. Entretanto, este é jogado de escanteio e vira um mero integrante de um triangulo amoroso. 

UM ROMANCE QUE NÃO FUNCIONA

Como disse anteriormente, estamos diante de um roteiro que não explora seus personagens ou a história em tela. Seja por falta de desenvolvimento destes ou por seu roteiro adotar uma série de escolhas previsíveis. 

Outro exemplo disso, é o romance presente na história. Além dos atores não possuírem química, o roteiro foca demais nesse fator e esquece de trabalhar a grandiosidade da história que tem em suas mãos. Sim, Marian é uma parte vital deste conto e gostei da ideia de torna-la mais proativa dentro da trama. Contudo - batendo mais uma vez na mesma tecla - sua personagem não é desenvolvida e seu arco no final é reduzido apenas ao de interesse amoroso.
créditos: Paris Filmes/Lionsgate
Apesar de ter um primeiro ato que consegue atrair a curiosidade do espectador e um segundo ato com boas cenas de ação, é em seu final que Robin Hood: A Origem simplesmente se perde e traz uma conclusão bem morna diante deste grande mito inglês.

VALE A PENA ?

Tudo depende do seu objetivo. Caso você esteja procurando uma história bem trabalhada e que conte a história do fora-da-lei de forma mais profunda este não é o filme. Porém, caso você esteja procurando divertimento, muitas cenas de ação e bons efeitos especiais, você não irá se arrepender de assistir Robin Hood: A Origem.




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