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Crítica | Bumblebee


Bumblebee é um spin-off da franquia Transformers, ambientado na década de 1980, que acompanha a chegada do Autobot mais amado em nosso planeta. Instruído por Optimus Prime (dublagem de Peter Cullen), Bumblebee vem a Terra para instalar uma base para a rebelião, mas logo é encontrado por um Decepticon que o deixa gravemente ferido.

Sem condições de sobrevivência, o extraterrestre permanece refugiado num ferro-velho como um fusca amarelo aos pedaços, até ser encontrado e consertado pela jovem Charlie (Hailee Steinfeld), às vésperas de completar 18 anos. A partir daí ele ganha a vida e desenvolve uma amizade com a garota, mas sem lembrar quem era e por que está em nosso planeta.

Não espere grandes novidades no roteiro de Christina Hodson. Na verdade, ele lembra muito o que vimos no primeiro Transformers, em 2007. Entretanto, ela traz uma abordagem muito mais sensível combinada com influências oitentistas. Dessa forma, com referências a 'E.T.', 'Clube dos Cinco' e 'Curtindo a Vida Adoidado', temos um filme leve, divertido, tocante e que é capaz de cativar os jovens e aqueles que estão na casa dos 30 ou 40 anos.

Outro ponto importante é como essa abordagem foi combinada com o fato de termos uma mulher como protagonista, sem toda aquela sexualização proposta por Michael Bay nos filmes anteriores. Como resultado temos um filme com uma carga emocional muito mais significativa e sem objetificação feminina.

Créditos: Paramount Pictures
Falando da nossa protagonista, Hailee Steinfeld tem uma trajetória semelhante ao do personagem de Shia Labeouf, mas com uma qualidade de atuação muito maior. Steinfeld consegue muito bem trabalhar as cenas dramáticas quando explora a dor do luto que sua personagem está sofrendo. Contudo, ela também sabe aproveitar os momentos mais cômicos em que Charlie precisa lidar com a família.

Sobre John Cena, não há muito o que falar. Basicamente, ele é o Arnold Schwarzenegger que todo filme de ação precisa, com suas expressões caricatas e frases feitas. Na realidade, todo o núcleo militar do longa segue essa linha mais engessada, o que deixa as cenas muito lentas e tediosas.

Agora o ponto mais significativo em Bumblebee: a direção de Travis Kinght. Se Michael Bay estivesse a frente desse projeto, teríamos mais do mesmo: poluição visual combinada com explosões exageradas. Por isso, essa foi a alteração mais decisiva para o sucesso desse longa.

Claro, não foi uma direção perfeita. Uma das principais críticas vai para as conveniências no roteiro. Por exemplo, a forma como Bumblebee parou no ferro-velho, Autobots usando a língua inglesa em Cybertron e por aí vai. Mas de uma forma geral, o trabalho de Kinght foi bem-sucedido por focar mais em um roteiro imersivo do que em malabarismos técnicos.

Créditos: Paramount Pictures
Na fotografia do longa, perceberemos tons dourados, o que ajuda na ambientação da trama, nos lembrando dos filmes da década de 1980. Ainda recebendo essa influência, temos a trilha sonora repleta de grandes sucessos, como “Never Gonna Give You Up” de Rick Astley. É importante lembrar que nesse filme as músicas têm um papel fundamental, pois através delas que Bumblebee se comunica com as pessoas.

Ver Autobots e Decepticons lutando é algo interessante, mas com o tempo essa luta perdeu seu brilho. Por isso, devemos comemorar o avanço que tivemos em Bumblebee quanto ao elenco e as relações dos personagens. No entanto, para manter a marca nos cinemas, será necessário um roteiro muito mais inovador. Resumindo, a grande conquista de Bumblebee é a abertura de portas para a recuperação da franquia Transformers. Saberão aproveitar?




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