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Crítica | O Ódio que você Semeia



O ódio que você semeia, baseado no livro homônimo do mesmo nome escrito por Angie Thomas, foi uma produção que me pegou totalmente desprevenida. Achando que encontraria mais um filme coming of age que traria algum drama e momentos muito açucarados, o longa dirigido por George Tillman Jr. e protagonizado por Amanda Stenberg está longe disso.

Sim, ainda estamos falando de uma produção voltada para o público - em tese -adolescente. Possuindo uma linguagem direta e um ritmo rápido, o que me atraiu em O ódio que você semeia é a seriedade do tema tratado. Em nenhum momento o roteiro tenta amenizar as feridas que envolvem o racismo, a brutalidade policial ou desigualdade social, pelo contrário, este confia no seu espectador e e na capacidade deste de entender a mensagem a se transmitida.

Na trama, conhecemos nossa protagonista Starr Carter (uma espetacular Amanda Stenberg), uma adolescente negra de dezesseis anos que vive uma vida dupla. Nascida e criada em Garden Heights, um bairro periférico, a menina possui orgulho das dificuldades que sua família superou, sendo constantemente lembrada por seu pai Maverick (o ótimo Russell Hornsby) de nunca a ter vergonha de sua pele e origem. 

Contudo, sua mãe Lisa (Regina Hall) buscando uma melhor condição de vida e estudo para os seus filhos, matricula Starr e seus irmãos em um colégio de elite. Neste momento que vemos a dualidade que Star se submete, não se encaixando em nenhum dos dois mundos e procurando se encontrar no meio de complexos sistemas é somente por meio de uma tragédia que está se revela e deixa sua voz ser ouvida.
créditos: Fox Film do Brasil
Ao ser a única testemunha do assassinato do seu amigo durante uma blitz policial. A protagonista fica entre a cruz e a espada. De um lado, o medo em ser a famosa 171 (delatora) da sua comunidade, convivendo com o medo da gangue e dona do tráfico em sua região lhe ferir ou sua família. Do outro, a tensão em ser vítima de racismo ou exclusão social em sua escola ao descobrirem que ela é proveniente de uma origem humilde. E, por último, sua maior batalha, sua consciência e a posição que se encontra diante deste emaranhado de preconceitos que nossa sociedade convive.

Quando digo conviver, não quero dizer sofrer, reconhecer a existência do preconceito é muito diferente de viver este. Citando Thug Life, de Tupac - um ícone do rap  - o filme explica que o título da música é uma abreviação para a frase "the hate that u give little infants fucks everbody", algo como, "o ódio que você propaga para as crianças fode todo mundo". Uma mensagem poderosa e que o filme passa em sua plenitude. 

Reconhecer o problema é um começo, mudar a forma de pensamento é a solução. Algo em tese simples, mas que na prática é muito difícil de se conseguir. O filme mostra essa jornada emocional vivida pela protagonista e apesar de momentos de alegria, não tem medo de expor a ferida e é desconfortável e doí presencia-lá.

Mais do que trazer uma mensagem positiva, O ódio que você semeia traz ma mensagem extremamente madura ao nos mostrar que ideias arcaicas, divisões e a desigualdade instalada em nossas sociedades são todas ramificações que diretamente contribuem para o ambiente tóxico em que está vive, sendo necessário uma ajuda coletiva para desconstruir esse ciclo que se permeia. 




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