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Crítica | Você e sua obsessiva trama


Confesso que hoje em dia é difícil maratonar uma série. A única vez que isso ocorreu esse ano foi com a excelente "A Maldição da Casa Hill" que me pegou totalmente desprevenida e quando me dei conta já estava no último capítulo. Sendo assim, não esperava que outra produção da Netflix pudesse despertar a série maniaca que existe em mim no final de 2018. Contudo, como vocês podem perceber, Você (You, em inglês) mudou essa afirmação.

Tendo estreado no serviço de streaming dia 26 de dezembro, a trama gira em torno de Joe Goldberg (Penn Badgley) é um brilhante e obsessivo nova-iorquino que explora as tecnologias do mundo moderno para conquistar a bela Beck (Elizabeth Lail) enquanto enfrenta as suspeitas cada vez maiores de sua melhor amiga Peach (Shay Mitchell). Joe não vai medir esforços para eliminar qualquer obstáculo em seu caminho — mesmo que isso signifique cometer assassinato.

A trama da produção não difere do que estamos acostumados dentro de um thriller psicológico Inserindo violação de privacidade, relacionamentos abusivos, depressão e outros temas dentro da narrativa central.

No entanto, o grande mérito da série está em seu storytelling. Você faz com que o espectador se torne tão obcecado quanto o seu protagonista. A medida que a obsessão de Joe cresce por Beck, nós igualmente criamos uma similar compulsão pelos próximos passos deste. Tal efeito é graças a Penn Badgley, que apresenta uma atuação sedutora e a cada episódio faz aflorar uma dualidade de sentimentos que alternam entre atitudes genuinamente bondosas - principalmente em relação ao seu vizinho Paco - e momentos de pura psicopatia em relação ao seu amor.

créditos: Netflix Brasil
Fator positivo já que a produção deseja apresentar personagens acinzentados e trabalha para desenvolver a individualidade de cada um destes. Estamos diante de uma série que se propõe a cada capítulo dar uma pincelada na personalidade dos personagens. A produção quer que o espectador crie um conflito interno com cada um dos integrantes desta história.

Por exemplo, Peach enxerga o comportamento obsessivo de Joe pelo fato da mesma possuir o mesmo tipo de comportamento em relação à Beck - chegando ao ponto de quase realizar um date rape - tamanha sua fixação com a escritora. Ao mesmo tempo que Beck é envolta por amizades tóxica, mas possui inúmeras atitudes egoístas e claros problemas de autoconfiança. Já Joe, mesmo diante de toda sua psicopatia, se importa com Paco e aflora a criatividade deste com a literatura para que de certa forma se afaste, ainda que momentaneamente, do lar abusivo em que vive.

No fim, Você prova que vivemos em uma sociedade altamente conectada que possui não somente os meios, mas investe neste tipo de comportamento stalker. Ao mostrar as deficiências da relação humana a medida vivemos em um ideal inalcançável. Ou seja, estamos duplamente vulneráveis: tanto na nuvem como na vida real.

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