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Crítica | Se a Rua Beale Falasse


O diretor  Barry Jenkins está de volta com seu terceiro filme Se A Rua Beale Falasse, produção baseada  na obra homônima do escritor James Baldwin. Nela somos apresentados a história dos cativantes Fonny (Stephan James) e Tish (Kiki Layne), amigos de infância que cresceram junto e ao longo dos anos acabaram se apaixonando um pelo outro. Através de recortes de memória de Tish, o público conhece essa história de amor que acabou sofrendo um grande baque quando Fonny é preso por um crime que não cometeu.

Buscando a todos os custos tirar seu amado da cadeia, a protagonista junto com sua família parte em uma batalha que busca provar a inocência de Fonny. Possuindo um grande crítica social por debaixo do drama familiar vivido por aqueles personagens, Barry Jenkins acerta mais uma vez em trazer para o cinema uma reflexão sobre o racismo e a  forma estrutural que ele se encontra em nosso dia-a-dia e instituições governamentais.


Um tema tão complexo e que provoca tanta dor ganha nas mãos do diretor uma visão melancólica mas ainda assim com pontadas de esperança ao mostrar como o amor e a união destes continua inabalável diante de tudo. É uma bela experiência que vem acompanhada de todo o cuidado estético de Jenkins, que vai desde os figurinos até a impecável fotografia de James Laxton. Sem contar a emociante trilha de Nicholas Britell que enche nossos olhos de lágrimas.

Contudo, devo dizer que senti o filme arrastar um pouco sua conclusão. Estava engajada pela batalha dessas pessoas - em especial pela mãe da protagonista interpretada por Regina King, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante - e que com o desenvolver da trama vão se doando cada vez mais para recuperar um ente querido que caiu na mão de um sistema falho. O problema é que em seu ato final sinto que o ritmo do filme cai e se arrasta, o que acaba gerando um clímax não tão impactante quanto o esperado.

No entanto, mesmo diante dessas particularidades, ainda acho que Se a Rua Beale Falasse um filme que deve ser assistido. A forma como Jenkins dialoga, acompanhado por uma linda direção de arte, mostra as feridas que o racismo provoca naqueles que o sofrem. E mesmo diante de tanta tristeza e inconformismo diante de uma estrutura opressora, o amor prevalece. Não é o final perfeito para uma história de amor, mas infelizmente é a única que eles podem ter diante da nossa realidade.

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