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A representatividade feminina no MCU


Nosso especial Marvel está indo de vento em polpa, não é mesmo? E para continuar nesse clima de celebração e esquenta para Vingadores: Ultimato, hoje nós vamos conversar um pouco sobre a representatividade feminina no universo Marvel. Como será que a Marvel anda cuidando das nossas guerreiras? Vamos descobrir? Vem com a gente nesse clima #GirlPower!!!

Para falar de toda a evolução do protagonismo feminino, nós vamos voltar um tiquinho no tempo, lá na fase 1 do MCU, dá pra acreditar que já fazem mais de 10 anos? Pois é, lá em 2008 tivemos o tão esperado Homem de Ferro, e com ele conhecemos a maravilhosa Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) a assistente pessoal de Tony Stark, que começou como uma coadjuvante/interesse amoroso. Com o tempo a personagem foi melhor desenvolvida e ganhou mais importância e espaço, mas ainda assim entrava na categoria de mocinha indefesa que sempre precisava ser salva pelo herói, o que é uma pena, pois Pepper possui uma bagagem interessante e poderia ter sido melhor desenvolvida.

Contudo, se formos analisar não é só Pepper que sofreu com o esteriótipo “princesa indefesa” em O Incrível Hulk (2008) e em Thor (2011), as respectivas Betty Roos (Liv Tyler) e Jane Foster (Natalie Portman) também acabaram sendo somente o interesse amoroso dos heróis, sendo este um problema bem grave principalmente no começo do MCU. O interessante e que ambas possuíam cargos extremamente importantes em seus arcos, Betty é uma cientista incrível e Jane é uma astrofísica, ou seja, mulheres inteligentes e extremamente capacitadas mas que infelizmente não foram bem aproveitadas.
créditos: MyCupOfT
Impossível também não citar Cristine Palmer (Rachel MacAdams) que em Doutor Estranho (2016) é uma coadjuvante quase figurante, sendo deixada de lado de uma maneira tão descarada que ela é até esquecida na trama. Apesar disso, devo mencionar o fato de que no filme tivemos a incrível Tilda Swinton interpretando o ancião, e apesar de toda a problemática do embranquecimento do personagem (todos concordamos com o quanto é errado embranquecer um personagem né?) ainda assim, era notável a falta de uma forte presença feminina em seus filmes.

Apesar dos percalços que passaram as incríveis mulheres citadas acima, acredito que nenhuma delas sofreu tanto para ter um desenvolvimento como a nossa amada Viúva Negra (Scarlett Johansson) que desde sua primeira aparição em Homem de Ferro 2 (2010) foi extremamente sexualizada e colocada como a mulher fatal nos filmes. Só de lembrar o tanto que a Natasha já foi sexualizada, chega a dar uma dor no coração. A personagem só começou a ter de fato mais importância e a ser melhor desenvolvida em Capitão América: Soldado Invernal (2014), porém infelizmente logo em seguida virou uma coadjuvante em um romance horroroso com o Hulk. Nossa Viúva precisa ser melhor desenvolvida e bem tratada e espero que em seu filme solo ela seja honrada e NÃO SEXUALIZADA como ela merece.

Porém de acertos também vive o MCU e ainda que possuindo uma linha bastante instável no quesito representação feminina, nós tivemos a sorte de conhecer Peggy Carter (Hayley Atwell), nossa agente favorita e um ótimo exemplo de representatividade bem feita. Ela é uma personagem tão bem trabalhada que dá gosto de ver. A personagem tem sua relação com o Capitão América, mas sua trama não é envolta somente nisto, tanto que esta ganhou uma série para chamar de sua (infelizmente cancelada, mas o importante é que ganhou). Deu para ver que já começamos a melhorar né? Ou será que não?
a representação feminina que queremos
Acho que melhoramos sim, e muito! Em Guardiões da Galáxia (2014) tivemos finalmente a primeira mulher negra a interpretar uma heroína no MCU, Gamora (Zoe Saldana) é uma guerreira extremamente forte, e possui uma personalidade marcante. Ao lado dela temos a Nebula (Karen Gillan) que também segue a linha lutadora destemida e é uma personagem muito interessante. Continuando em Guardiões, mas agora no Vol. 2 (2017) nós conhecemos Mantis (Pam Klementieff) uma alienígena capaz de manipular as emoções. Particularmente, gosto muito das figuras femininas em Guardiões da Galáxia por estarmos diante personagens femininas que são bem desenvolvidas e que seguem sua própria linha narrativa sem precisar de um homem, então um pontinho para a Marvel.

Deu pra perceber que há uma inconsistência né? Momentos ótimos de representatividade e outros bem ruins, mostrando que há muito o que ser trabalhado e desenvolvido. Mas é perceptível que a Marvel tem se esforçado para trazer personagens com as quais nós mulheres nos identifiquemos e que sejam participantes ativas dentro da história. Com essa linha de pensamento que conhecemos Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) em Homem-Formiga 1 e 2 e as maravilhosas Hela (Cate Blanchett) e Valquíria (Tessa Thompson) em Thor: Ragnarok (2017), todas espetaculares e com arcos extremamente importante na história. 

Seguindo nessa linha linda de maravilhosidades, temos Pantera Negra (2018) que sem dúvidas é um dos melhores filmes Marvel, possuindo um elenco feminino espetacular. É um filme grandioso e extremamente importante, por trazer para as telas um herói protagonista negro, e toda uma trama repleta de representatividade. As personagens Shuri (Leititia Wright), OKoye (Danai Gurira), Nakia (Lupita Nyong'o) e Ramonda (Ângela Bassett), mulheres fortes, possuidoras de uma liderança nata - cada uma em sua área - e personalidades marcantes.

captain marvel yes GIF by Nerdist.com
 estamos chegando a dignas representações femininas
Chegando ao mais recente filme do universo, em Capitã Marvel (2019), temos Carol Danvers (Brie Larson) sendo uma das mulheres mais badass do MCU. A personagem é a primeira a ganhar um filme solo, e segurou muito bem essa responsabilidade. Não há sexualização, mas sim uma mulher forte e poderosa sendo tudo o que ela quer ser, e não é somente a Carol que brilha, Maria (Lashana Lynch) também é uma coadjuvante maravilhosa. Somente acertos aqui!

A verdade é que  é bem difícil estabelecer personagens femininas no mundo nerd, digo que é até difícil ser uma mulher nerd em certas ocasiões (quem nunca recebeu a famosa carteirada ? Ou o famoso mansplaining?). Há muito o que ser desenvolvido e conversado tanto dentro das produções cinematográficas como no meio que consume esse tipo de produto. O primeiro passo é o respeito com as personagens, não as sexualizando e dando a importância que elas merecem. 

A Marvel está conseguindo aos poucos fazer isso, desde o primeiro filme lá em 2008 até agora em 2019, tivemos algumas boas mudanças, e espero que elas continuem cada vez mais, pois precisamos de boas representações femininas, nossas crianças precisam de super heroínas tão legais quanto os super heróis. É esse o futuro que queremos, dona Marvel.

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