Swift

Crítica | After


Imagine escrever uma fanfic sobre Harry Styles e esta viralizar ao ponto de ganhar um contrato literário e alcançar recordes de vendas. Bem foi isso que ocorreu com a escritora Anna Todd, autora de After, que ganha uma adaptação para os cinemas.

Deixando o integrante do One Direction de lado e criando personagens originais, conhecemos a história de Tessa (Josephine Langford)  e Hardin (Hero Fiennes Tiffin). Dois opostos que se atraem. Ela é a caloura estudiosa, ingênua que já possui o futuro todo planejado por sua controladora mãe, Carol Young (Selma Blair). Ele é o típico bad boy possuidor de inúmeras roupas pretas, tatuagens e uma atitude marrenta, sendo tal personalidade sido moldada diante de um grande trauma vivido em sua infância.Não demora muito para a atração física entre os personagens despertar, apesar de uma inicial relutância de Tessa, e ambos acabam embarcando em uma grande paixão.

Para ser sincera, eu nunca li nenhum livro da saga, tendo ido totalmente crua para o cinema, desprovida de qualquer conexão emocional que qualquer fã da saga que ver o filme já possui. Conhecidos, como afternators, é quase garantido o sucesso do longa, porém a questão é será que o mesmo consegue aguardar o público geral?
créditos: Diamond Films 
After é um filme recheado de clichês românticos de filmes adolescentes - o que não é o grande problema - com uma história sem profundidade. O filme é extremamente corrido e não consegue estabelecer nenhum dos personagens em tela ou o seu conflito principal - que por sinal é inexistente. Tudo ocorre e se resolve como num passe de mágica e quando as luzes do cinema se acenderam eu percebi que não me conectei com nada transmitido em tela. O maior exemplo disso é a cena que explica toda a personalidade conflituosa do protagonista decorrente de um trauma, algo totalmente inexpressivo, sem impacto. Tudo isso acentuado pela falta de criatividade de Jenny Gage.

Outro ponto importante é que quando assisti o trailer do filme, logo fiz a conexão de que este seria um 50 tons de cinza juvenil, ou seja, altas doses de sexo, um casal sem sal e a popularização de um boy abusivo cujos atos são justificados como "atos de amor". Contudo, esse meu raciocínio apresenta alguns acertos e erros. 

O primeiro deles é em relação ao protagonista. Como informado por amigos próximos que leram o livro o comportamento de Hardin é extremamente problemático. Dessa forma, ao mudar a narrativa, tirando a toxidade, e ainda assim mantendo a essência deste. Não preciso nem dizer como romancear o comportamento abusivo é errado, certo? Sendo algo positivo. Anna Todd e a roteirista Susan McMartin acertaram neste ponto. 
créditos: Diamond Films
Agora a questão é: e a química entre os personagens? Ela existe, porém é visível como a entrega de Josephine Langford é maior, conseguindo extrair bons momentos no papel. A personagem possui uma ingenuidade, mas em nenhum momento é apática e consegue firmar suas decisões. Já Hero Fiennes Tiffin, não consegue entregar todo o conflito interno do personagem se demonstrando muitas vezes perdido em cena. Quanto ao sexo, eu só posso dizer que caso você esteja a espera de altas cenas picantes esqueça o filme é bem PG-13 e possui mais insinuações puritanas e devo dizer constrangedoras porque é visível o desconforto dos atores. Mas pelo menos você pode se contentar que estás vem acompanhadas de uma ótima trilha sonora. 

After é um filme que não provoca qualquer tipo conexão com seus personagens, sendo extremamente raso e corrido. No entanto, sabendo do poder de seu fandom e sendo um sucesso de vendas, fica fácil afirmar que uma continuação é praticamente certa.  

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