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O Legado do Universo Cinematográfico da Marvel (Parte 2)


Apesar de já termos assistido Vingadores: Ultimato (onde você pode conferir a crítica com ou sem spoiler no blog) damos continuidade ao nosso especial do MCU com a segunda parte da análise sobre o legado Marvel nos cinemas. Chegando ao três pontos finais que geraram a chave desse sucesso vamos aos fatos explorando o presente e o futuro desse universo.

FASE 3: ABRAÇANDO A DIVERSIDADE E VIVENDO O LEGADO CONSOLIDADO

Após duas fases lançadas de forma muito bem mapeada e evidenciando cada vez mais a trama central ao colocar as jóias do infinito em diferentes filmes e cada vez mais mostrando Thanos como o vilão central da franquia, chegamos a derradeira fase 3. Esta fase não só mostra uma Marvel mais madura, mas mais cuidadosa com seus produtos, se apoiando menos nas histórias dos quadrinhos e confiando naquilo que já tinha construído ao longo de suas fases anteriores, abrindo assim espaço também para novas franquias e principalmente, a diversidade. Composta por nada menos que dez filmes, a fase 3 abriu um leque de possibilidades e novidades, além de lutar contra a chamada “fadiga de filmes de super-heróis” (afinal depois de 2012, a proporção de filmes do gênero quadruplicou nos anos seguintes, já que os estúdios queriam uma franquia para chamar de sua que fosse tão bem sucedida quanto os Vingadores), era evidente que estávamos chegando num momento decisivo do futuro do MCU que precisava fechar uma ideia que tinha sido idealizada lá em 2008. Os filmes são: Capitão América: Guerra Civil (2016), Doutor Estranho (2016), Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017), Spider-man: Homecoming (2017), Thor: Ragnarok (2017), Pantera Negra (2018), Vingadores: Guerra Infinita (2018), Homem Formiga e a Vespa (2018), Capitão Marvel (2019) e o final da saga com o aguardado, Vingadores: Ultimato que já estreou nos cinemas. Nesta fase, temos três pontos importantes, o primeiro é que mais franquias solo surgiram trazendo ainda mais talentos para a família Marvel (Bennedict Cumberbatch, Chadwick Boseman, Tom Holland, Brie Larson, para citar alguns dos nomes de peso), além de trazer e dar um apoio a cineastas advindos do cinema independente e indie, dando liberdade para que utilizassem a “caixa de ferramentas” do MCU para emprestarem seus estilos para enriquecer esse universo, como fica evidente no magnífico e bem humorado Thor: Ragnarok do diretor Taika Waititi, ou no espetacular e socialmente relevante Pantera Negra do diretor Ryan Coogler. O segundo ponto é a diversidade mencionado várias vezes neste texto, fica evidente o anseio de Kevin Feige de dar voz chamadas minorias e tornar o universo Marvel mais integralizado o possível, Pantera Negra não só cumpre esse papel, mas trás um universo rico, culturalmente empolgante e com um peso político pouco antes visto em um blockbuster, sem falar no recém-lançado, Capitã Marvel, uma exaltação bem sucedida ao emponderamento feminino que promete ser só o começo no que diz respeito a filmes liderados e dirigidos por mulheres. O terceiro ponto e não menos importante é o ambicioso arco dos Vingadores chegando ao seu ponto final, guiado a quatro mãos pelos diretores Anthony e Joe Russo e os escritores Christopher Markus e Stephen McFeely desde Capitão América: Guerra Civil, passando pelo fantástico, Guerra Infinita (e aquele final incrivelmente cruel) e finalizando agora com Ultimato, mostrando que é possível emular com perfeição grandes eventos da Marvel que antes eram apenas lidos nas páginas dos quadrinhos, mas que agora ganham contornos ambiciosos na tela grande demonstrando que não a limites para entretenimento quando se tem planejamento e criatividade.

Maior bilheteria: Vingadores: Guerra Infinita – US$ 2,048 bilhões*
Arrecadação da Fase 3: US$ 8,44 bilhões*
Número de Filmes: 9*
Oscars: 3 prêmios

*Até o momento

TRANSIÇÃO: O FIM E O COMEÇO

Esse não é o fim como o marketing de Vingadores: Ultimato sugere, mas sim um momento de transição. Provavelmente o ponto final seja sim para os seis vingadores originais (Homem Ferro, Thor, Hulk, Capitão América e Viúva Negra), afinal os contratos dos atores com a Marvel estão praticamente expirados, abrindo assim espaço para uma nova geração. Talvez seja o fim para este formato iniciado por Kevin Feige, o que é bom para um cara criativo como ele poder se reinventar, então começamos a ver o fim da linha, mas o começo de outra já iniciada com heróis como Pantera Negra, Capitã Marvel, Doutor Estranho, Vespa, dentre outros novos personagens que estão surgindo. O legado deixado pela “Saga do Infinito” é de um saldo bastante positivo como a importância de se ter alguém com visão como uma pessoa como Kevin Feige (agora presidente da Marvel Studios) tocando o barco com foco e planejamento, seu formato foi copiado por outros estúdios de Hollywood a exaustão no quesito universo compartilhado, alguns sendo bem sucedidos (The Conjuring Universe), outros nem tanto (Universo DC, Universal Monster Universe), o que nos trás o lado negativo do formato, com o crescimento exponencial da concorrência desenfreada e sem o mesmo planejamento resultando em filmes mal acabados, apressados e sem o mesmo apreço dos filmes da Marvel, além da fadiga do gênero e o desgaste de uma fórmula bem sucedida.

FASE 4: INFINITAS POSSIBILIDADES

Dessa forma chegamos a ponto de definição, o futuro do universo Marvel após Vingadores: Ultimato é uma incógnita, mas também abre uma gama de possibilidades. Como citei a concorrência esta aprendendo entre erros e acertos, ao invés de copiar, estão seguindo seus próprios caminhos, trazendo uma disputa saudável para Feige e companhia nos próximos anos, mas depois de três fases, fica fácil dizer que a Marvel não terá problemas, porém o interesse do público após 22 filmes tende a diminuir naturalmente, mas o segredo do sucesso esta exatamente na diversidade que começou a tomar forma já na fase 3 e que ao parece ser o carro chefe do Universo Cinematográfico da Marvel daqui para frente, existe notícias de vários filmes sendo pensados para abraçar a representatividade de vez, como Os Eternos trazendo o primeiro personagem abertamente LGBT da franquia no papel principal e dirigido por uma talentosa diretora (Chloe Zhao, fiquem de olho neste nome), além de um filme solo da Viúva Negra e uma tentativa de abraçar o mercado asiático com o filme Shang-Shi, sem falar que a compra da Fox pela Disney recentemente amplia o catálogo de heróis da empresa, com retorno de peso pesados como X-Men e Quarteto Fantástico para o estúdio. A tarefa de manter um legado e ainda continuar sendo relevante parece tarefa complicada, mas se tem uma coisa que pode ser aprendida sobre o Universo Marvel, é que o céu é o limite para quem tem planejamento, foco, paixão e não tem medo de arriscar.

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