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Vale a pena assistir Osmosis?


Osmosis é uma série original Netflix que se passa em Paris num futuro próximo, onde aplicativos de relacionamentos estão super em alta. Usando essa ideia, a Osmosis foi criada. Sendo utilizada de uma forma diferente e mais profunda, onde as pessoas tem que ingerir um nanobot que explora e monitora seus dados cerebrais para decodificar o amor verdadeiro, só que isso tem um preço.

A história começa antes do lançamento da Osmosis; 12 pessoas se candidatam como cobaias para os testes, no desespero de encontrar sua alma gêmea. Desses 12, apenas 3 são os que amarram a narrativa e dirigem o enredo, juntamente com os criadores do app. A introdução é bem lenta, mas a cada episódio você vai ficando mais curioso para compreender e desvendar as tretas todas.


Um dos pontos fortes (além da fotografia que tem contrates de neons que eu fiquei apaixonada), os personagens são tão diferentes um do outro que em algum ponto o espectador se identificará com ele/ela. Temos personagens brancos, negros, gays, acima do peso, com transtornos psicológicos... Aqueles casais que você pode achar impossível de acontecer e acontece. Já o ponto fraco é que o roteiro tem tanta informação que ás vezes fica complicado de entender a que ponto ele quer chegar, você realmente fica um pouco perdido. É muita história entrelaçada na outra para chegar em um único objetivo e um final que deixa um pouco a desejar.

A Osmosis em si é uma ideia que ao mesmo tempo é genial, é meio absurda. De uma forma milagrosa, o amor verdadeiro sempre é encontrado próximo a você. E quando seu parceiro também opta por ingerir o nanobot, os dois se conectam, como se fossem apenas um: fórmula dita como "a felicidade suprema". Eles se desligam da realidade e se encontram em um vazio de tela preta, flutuando abraçados, nus, numa posição fetal. Acreditem se quiser, dá até para transar lá. Fiquei curiosa hahahaha. E é em cima dessa "felicidade suprema" que o app tem a intensão de ser vendido: com a promessa de construir uma nova era de felicidade infinita e sem fim. 

Mas nem tudo é felicidade e a realidade tende a ser decepcionante, não é mesmo? Entre tanto amor para dar, a Osmosis enfrenta uma série de dificuldades meses antes do lançamento: a concorrência dos apps rivais, problemas com financiamentos, calotes e verdades que nos pegam de surpresa.



Vale lembrar que a série é uma produção francesa, então para quem está com os olhos acostumados apenas com produções hollywoodianas vai ter uma certa estranheza. Os personagens, principalmente a protagonista, não são nada atrativos, mas vendo por outro lado, é até um alívio não ver os mesmos rostos que já estamos acostumados. Em questão de desenvolvimento, podemos dizer que a maioria deles tem uma construção interessante. Alguns lidam com perdas, outros com a solidão, mas todos carregam dúvidas sobre o amor.

Contando com todos os ingredientes de uma ficção científica mais natural - que nem parece ficção científica, sem aquela carga pesada de efeitos visuais - repleta de drama, decorado com aspectos filosóficos e com uma pitada de amor; Osmosis pode não agradar a todos pela forma como é contado, mas para quem gosta de uma série mais tranquila, sem ação, tiros e violência, pode ser uma boa pedida! 

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