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Crítica | O Rei Leão (sem spoiler)


Hoje conferi o live-action de O Rei Leão e a primeira coisa que me questionaram quando sai da sessão é se a produção superava a animação de 1994. Será que essa comparação é realmente necessária? O filme que chega aos cinemas está quinta-feira traz uma abordagem muito mais realista de como Simba se tornou rei de tudo aquilo que a luz toca. E só posso dizer que fiquei extremamente feliz com o que assisti.

Assim como alguns, minha relação com O Rei Leão é algo extremamente pessoal, além de ter sido o primeiro filme que assisti nos cinemas há toda uma bagagem emocional que envolve a minha relação com meu pai. Possuindo um sentimento tão forte pela obra, vocês podem ter uma vaga ideia de como é difícil tentar traduzir em palavras tudo o que senti ao assistir o longa.

Deixando de lado a magia e o lúdico que permeou a nossa infância, Jon Favreau - diretor do longa - traz uma nova proposta para a conhecida história. Buscando o realismo, o filme ganha um ar muito mais sóbrio e sério, mas nem por isso menos inspirador ou emocionante. 
Walt Disney Studios
Realmente sinto que o live-action de O Rei Leão foi feito pensando na nossa geração que cresceu com ele. Sim, você não irá ver o Simba (Donald Glover) em meio a uma pirâmide de hipopótamos enquanto canta "O Que eu Quero Mais é Ser Rei" ou Timão com uma roupa havaiana enquanto tenta despistar as hienas, e tudo bem. A magia deste filme está em coisas bem mais palpáveis que vão desde a beleza dos ensinamentos de Mufasa (James Earl Jonesaté a introdução de uma África rica em belezas naturais.

Depois de 25 anos, ainda estamos tentando entender o complexo ciclo da vida, que no filme é tão belamente explicado e explorado. Tais percepções que a Fernanda de 5 anos não tinha entendido, mas que meu EU atual de 29 anos agora compreende uma pequena parcela e se emociona. São esses detalhes que tornam o filme uma ótima experiência, diante de tanto realismo ainda podemos encontrar o lúdico com uma percepção diferente.
créditos: Walt Disney Studios
Juntamente com está belo conto vem um elenco de peso. A própria volta de James Earl Jones como Mufasa é algo que arrepia, uma voz tão imponente que carrega tantas lembranças. Donald Glover e Beyoncé assumem o papel de Simba e Nala e exercem bem os seus papeis culminando em uma versão de "Essa Noite o Amor Chegou" poderosa. Agora a meu ver o grande destaque desse time vai para John Oliver, Billy Eichner e Seth Rogen, que trio senhoras e senhores.

Zazu, Timão e Pumba ganham novamente vida e com personalidade. Mesmo sendo os alívios cômicos do filme, é possível ver um pouco dos atores nos personagens ao criarem boas tiradas que fará você dar gargalhadas. Alias o filme apesar de muito fiel a ora consegue estender algumas cenas, onde é possível notar certo aprofundamento dos personagens e história. O maior exemplo disso é a cena de "Quem Dorme é o Leão" que ganha mais espaço e participantes, tornando tudo bem divertido.
créditos: Walt Disney Studios
Por estarmos diante de algo bem mais realista por óbvio a humanização dos personagens é inexistente, mas o filme sabe condensar isso muito bem ao fazer com a voz dos personagens seja o norte para suas emoções, fazendo com que nos emocionemos do mesmo jeito.

Tantos momentos marcantes ganham um peso maior diante da computação gráfica do filme. Realmente é algo arrebatador ver todo o esmero e cuidado ao recriar a savana e seus moradores. É visível todo o estudo envolvido sobre a composição da floral local até ao comportamento dos animais. Tanta dedicação traz uma verossimilhança que em momentos você pensa que realmente aquilo é uma filmagem e não computação gráfica.

No fim, O Rei Leão é um filme que continua a inspirar mesmo diante de uma visão mais realista. O conto que permeou nossas tenras memórias amadureceu e nós também.

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