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Crítica | Era Uma Vez Em Hollywood


Considerado por muito tempo o período de ouro de Hollywood, os anos 50 foram berço de grandes produções televisivas e cinematográficas. As décadas seguintes também tiveram seu brilho, mas com a guerra no Vietnã, a explosão do movimento hippie e da politização de movimentos minoritários, tudo acabou virando uma grande loucura. Só seria possível uma maneira de que todo esse bolo cultural ficasse ainda mais estranho e confuso: nas mãos de Quentin Tarantino.

Era Uma Vez Em Hollywood acompanha a trajetória de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um astro de televisão em decadência, e de seu dublê/amigo, Cliff Booth (Brad Pitt). Apesar de viverem vidas completamente diferentes Cliff serve de sustentação para Rick, que, entre uma embriaguez e outra, tem crises de ansiedade sobre estar perto do fim de sua carreira.

Em meio a relação dos dois amigos acompanhamos a vida de Sharon Tate (Margot Robbie) em sua nova vida em Los Angeles como a esposa do renomado diretor Roman Polansky. A grande dúvida logo de cara seria entender como essas tramas conversam, mas a verdade é que não existe um diálogo entre as duas, exceto pelo fato de que Polansky e Dalton serem vizinhos.
créditos: Sony Pictures Entertainment
No entanto, isso não afeta o filme de maneira alguma, muito pelo contrário. Ao ter tramas bem desconexas amarradas apenas por um simples fato dentro de um mesmo longa, Taratino consegue fazer seu filme mais maluco dentro de sua história mais simples, por mais contraditório que isso pareça.

Rick Dalton vive no mundo dos sonhos do cinema com uma boa casa em uma área nobre da cidade, mas passa seus dias sozinho bebendo e decorando falas de papéis de pouco destaque em um ou outro projeto televisivo. Em paralelo, Cliff vive uma vida de anonimato em meio às estrelas, mas carrega um passado misterioso e uma vida de aventuras.

Com um papel mais caricato, DiCaprio parece uma paródia da forma como o diretor enxerga a indústria de cinema da época, enquanto Brad Pitt tem mais o ar de um personagem “tarantinesco" por assim dizer. Margot Robbie serve como um relógio que nos ambienta a época em que o filme se passa, sendo retratada como uma dama do cinema ao invés de uma vítima de um crime horrendo.
créditos: Sony Pictures Entertainment
Os fortes diálogos do diretor americano continuam presentes, sejam para ajudar a construir os personagens em cena ou até mesmo ajudar o espectador a entender a loucura do mundo das celebridades de Los Angeles na época. Contudo, o grande trunfo de Tarantino em Era Uma Vez em Hollywood talvez seja a brincadeira com a expectativa do público. Os mais fanáticos por cinema com certeza pescarão inúmeras referências e até mesmo esperarão um desfecho normal, mas a loucura do diretor em reescrever fatos como ele quer dão toda a graça ao longa, assim como já havia feito em Bastardos Inglórios (2009), por exemplo.

Era Uma Vez Em Hollywood surpreende por sua complexidade em meio a uma trama aparentemente simples e pela subversão do que se espera indo até o cinema. Mais um acerto de Tarantino que é obrigatório para todos os amantes da sétima arte.

Texto pelo colaborador Roberto Segundo

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